sábado, 3 de dezembro de 2016

Ministro do austericídio, Meirelles afunda economia e já é fritado



Nacho Doce/Reuters
 
 























O resultado do PIB do terceiro trimestre mostrou o aprofundamento da recessão e parece ter sido a gota d’água que fez transbordar as insatisfações.Após seis meses, a economia não dá sinais de melhora, pelo contrário. Afinal, para haver reação, é necessário que haja ação. E as medidas anunciadas pela equipe Temer/Meirelles não são capazes de incentivar uma retomada.


O governo alega que é preciso cortar gastos, para equilibrar as contas e, assim, reascender a confiança. Pelo discurso Temer/Meirelles, isso faria com que empresários decidissem, num passe de mágica, fazer novos investimentos - mesmo havendo, na maioria dos setores, uma enorme capacidade ociosa e alto grau de endividamento. 

Ocorre que, mais uma vez, é improvável um cenário no qual a economia derrete a olhos vistos, mas, mesmo assim, o setor privado decida puxar a retomada do crescimento apenas porque o governo melhorou suas contas. Nos mercados interno e externo, a maré não está para peixe. Com o desemprego em alta e renda em baixa, o consumo também despenca. E, diante do real valorizado e das incertezas no cenário internacional, o setor externo pouco contribuirá.

E, mesmo do ponto de vista fiscal, as medidas anunciadas pelo governo surtirão pouco efeito no curto prazo. Ou seja, o programa econômico atual se resume a cortar gastos, e isso não ajuda a economia, pelo contrário. Significa tirar dinheiro da economia, direta e indiretamente. Seja porque o próprio governo deixou de investir, seja porque terá efeitos sobre a renda das pessoas. 

Apesar de esse roteiro já estar claro há muito tempo para muita gente, só agora caiu a ficha para os antigos entusiastas da equipe econômica. Analistas da grande mídia, do mercado e mesmo governistas oficiais já começam a disparar contra o ministro da Fazenda, contestando a gestão da pasta, que já foi a menina dos olhos deles mesmos. 

Alegam o óbvio – que o ajuste fiscal de Meirelles acontece em ritmo lento, que não há medidas capazes de reanimar a economia no curto prazo, que os juros continuam muito altos e que não se vê sinais de retomada. 

Segundo a coluna Painel, da Folha, “cobra-se mais criatividade da Fazenda”, e uma frase resume o sentimento geral em Brasília: “A equipe dos sonhos não está conseguindo entregar os sonhos da equipe”. Frustrados, os aliados do governo buscam culpados.

O Globo, por sua vez, já informa que, depois de reunião de Michel Temer com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o senador Aécio Neves, tomou-se a decisão de que o PSDB terá mais espaço no debate econômico e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, será mais ouvido pela equipe econômica. 

Muitos já falam que o ministro passa por um processo de fritura, outros alertam que as desventuras de Meirelles podem levar a reboque o próprio Temer. Depois de prometer "resgatar a confiança", o presidente admitiu nesta quinta-feira, que "não tem vara de condão para a economia", deixando clara sua incapacidade de apresentar resultados. "Há uma certa ansiedade para que tudo se resolva. Não se resolve em seis meses", disse ele.

"Não posso ignorar o fato de que neste último mês de novembro, a confiança caiu um pouco em face de vários incidentes até de natureza política. As questões relativas à chamada anistita em um dado momento, agora a questão da responsabilidade de juízes e promotores etc, tem criado um natural embate em alguns setores governamentais e além disso, tem criado embates na própria opinião pública. Estes fatos e outros que vão ocorrendo criaram uma instabilidade e toda vez que há instabilidade o investidor coloca o pé atrás", tentou justificar. 

O próprio Meirelles disse, nesta quinta (01), que a crise política não irá prejudicar o ajuste fiscal. Segundo ele, a retomada é “um pouco lenta”, mas “está indo bem”. “Demora certo tempo para que as empresas reestruturem suas dívidas, renegociem com os bancos, e possam, em consequência, voltar a investir para tornar a crescer; e o mesmo ocorre com muitas famílias”, disse. Resta saber se ao menos os aliados de Temer estão dispostos a esperar. 

Do Portal Vermelho

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Luiz Ruffato: Temer é indigno do cargo que ocupa



Mídia Ninja
 
 



















O presidente não eleito, Michel Temer, bateu uma marca incrível: perdeu seis ministros em seis meses, todos envolvidos em denúncias de corrupção. O mais recente, Geddel Vieira Lima, homem forte do Governo, foi denunciado por um colega, Marcelo Calero, por pressões para aprovar uma obra em área tombada pelo patrimônio histórico, e na qual, por acaso, possuía um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. Antes da demissão, Temer, por meio de seu porta-voz, Alexandre Parola, havia declarado apoio a Geddel, mesmo ele tendo admitido a conversa com Calero. “Trata-se de um episódio menor”, disse, numa demonstração óbvia de conivência com um crime – neste caso, crime de concussão, quando uma pessoa exige para si vantagem em função do cargo que ocupa.

Hoje sabe-se o motivo pelo qual Michel Temer foi tão enfático em defender Geddel Vieira Lima: ele mesmo teria pressionado Marcelo Calero para mudar o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), assim como outro de seus ministros, o da Casa Civil, Eliseu Padilha. Calero afirma que possui gravações que comprovariam suas denúncias. Ou seja, segundo o ex-ministro da Cultura, Temer e Padilha também cometeram crime de concussão. Por muito, muito menos, o vice-presidente, secundado pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário, tramou o golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, contra quem, até hoje, não se comprovou qualquer irregularidade.

Como intercedeu por Geddel, agora Temer protege Padilha, ex-ministro dos Transportes no Governo Fernando Henrique (1997-2001) e ministro da Secretaria da Aviação Civil no Governo Dilma (2014-2015), e alvo de vários inquéritos na Justiça por envolvimento em inúmeras irregularidades, inclusive naOperação Lava Jato. A frase de Temer em defesa de Padilha é, aliás, bastante reveladora: “O que ele fez foi o que eu de alguma maneira disse“, referindo-se à conversa que teve com Calero. Outros quatro ministros de Temer, além de Padilha, aparecem citados na Operação Lava Jato: Raul Jungman (Defesa), Bruno Araújo (Cidades), Ricardo Barros (Saúde) e Mendonça Filho (Educação), além de José Serra, candidatíssimo à Presidência da República, atual ministro das Relações Exteriores, acusado de receber, via caixa dois, R$ 23 milhões da empreiteira Odebrecht para financiar sua campanha eleitoral em 2010. O próprio Michel Temer é considerado, pela Lei da Ficha Limpa, inelegível em 2018.

O curioso é que, ainda assim, ao invés de mobilizações “patrióticas” contra a corrupção, lideradas por aqueles que hoje se orgulham de se autoproclamarem “de direita”, vestindo camisas amarelas e discursos hipocritamente moralistas, o que vemos são declarações como as do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chefe dos tucanos, reiterando seu apoio e o de seu partido ao Governo ilegítimo de Temer, usando como argumento um impensável cinismo, vindo de alguém que um dia posou de estadista: “Isso é o que temos”. Não muito distante do “argumento” do presidente do Senado, Renan Calheiros, contra quem correm 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal, advogando em favor de Temer: “as alegações do ex-ministro da Cultura não afetam o presidente, que reúne todas as condições para levar adiante o processo de transição”. Poucos dias atrás, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, eventual presidente da República na ausência de Temer, agia em prol de Geddel Vieira Lima, afirmando: “O ministro tem apoio do Parlamento, tem confiança do Parlamento, tem exercido papel fundamental para o Governo na articulação política”...

Tivesse o mínimo de brio, o mínimo de dignidade, Michel Temer pediria demissão do cargo para o qual não foi eleito e que vem demonstrando, dia a dia, incapacidade moral para exercê-lo. Mas ele não tem brio, não tem dignidade. 


*Luiz Ruffato é escritor. Formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, publicou vários livros.
Fonte: www.vermelho.org.br/

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Violência policial aproxima governo Temer da ditadura militar



Foto; Senado federal
Os métodos usados pela polícia de Temer foram comparados aos dos militares contra as manifestações das Diretas Já!
Os métodos usados pela polícia de Temer foram comparados aos dos militares contra as manifestações das Diretas Já!



















“É algo perigoso o que está acontecendo nesse processo político. Nós estamos atentos para procurar saídas, mas não tem democracia sem povo e não tem governo que se sustente na democracia sem povo. Como esse governo é ilegítimo, só vejo uma saída que é criar condições de eleições diretas já”, avalia o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA). 

“O único oxigênio para manter a democracia viva é devolver ao povo a decisão sobre a escolha do Presidente da República”, enfatiza o parlamentar, novamente comparando as duas situações em que era negado ao povo brasileiro o direito de escolher o Presidente da República.

Cerca de 30 mil pessoas fizeram uma grande protesto contra a votação, no Congresso, da PEC 241/55, que congela os gastos públicos por 20 anos, e a Medida Provisória 746/2016, que desmonta o ensino médio brasileiro. As medidas antipopulares do governo golpista de Michel Temer são apontadas como a consolidação do golpe parlamentar que destitui da Presidência da República a presidenta eleita Dilma Rousseff.

Nota do PT

A Liderança do PT na Câmara também se manifestou sobre o episódio de violência protagonizado pela Polícia Militar do Distrito Federal, que reprimiu violentamente os manifestantes que protestavam contra a PEC 241/55, que congela os gastos públicos por 20 anos, e a Medida Provisória 746/2016, que desmonta o ensino médio brasileiro.

“A Bancada do PT repudia veementemente a violência contra os manifestantes e atribui toda responsabilidade desses fatos a Michel Temer, que já devia ter retirado de tramitação a MP 746 bem como excluído a educação do corte de gastos da PEC 55”, diz a nota.

A exemplo do líder do PCdoB na Câmara, a Liderança do PT explica que a repressão não fará arrefecer “o apoio à luta do povo brasileiro contra a PEC 55 e aos estudantes contra a MP 746.”

Negação da democracia

Daniel Almeida disse que “temos que condenar a violência e, com isso, só nos sentimentos mais responsáveis e estimulados a fazer resistência.” Para ele, a violência demonstra “o desespero de um governo que sabe que se afasta cada vez mais dos interesses do povo e cada vez mais vai ter mais cobrança.”

“Nós estamos à beira de uma crise institucional, os debates no parlamento acontecem de forma açodada, sem acompanhamento do povo e os espaços do Congresso são fechados, com trancas, barreiras e policiais, uma negação da democracia e uma violência à nossa constituição e ao estado democrático de direito”, analisa o líder comunista.

“O governo está sem rumo do ponto de vista de como conduzir a economia, que está em colapso. Em seis meses, o governo não consegue apresentar qualquer resultado, a crise se agrava, o desemprego cresce, as conquistas sociais vão para o ralo, e quer impor mudanças na legislação brasileira, principalmente na área econômica, para consolidar o golpe e a interrupção da democracia. E como sabe que não tem respaldo popular, usa a força”, explica o parlamentar. 


De Brasília
Márcia Xavier 

Visão única da mídia e agenda regressiva implodem economia



 
 


















Professora do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo e colunista da Folha de S. Paulo, Laura Carvalho aponta que há uma fraude nas promessas econômicas do governo que se instalou após o impeachment de Dilma Rousseff. “Há uma completa falta de perspectiva de saída do fundo do poço. Criou-se o discurso de que os investidores estariam loucos para vir ao Brasil após a queda de Dilma, mas isso não está ocorrendo”, diz.

Enquanto a frustração aumenta e chega ao ápice com a aprovação em primeiro turno da PEC 55 na Câmara dos Deputados, Carvalho avalia que a imprensa começa a mudar o tom. “Antes, a PEC era a panaceia para o país. Na redação, brincam que seria o ‘Posto Ipiranga’, que daria todas as respostas para os problemas”, conta. O discurso, segundo ela, foi perdendo força e alguns já admitem que mesmo com o sacrifício dos gastos públicos, a crise persistirá.

“O grande problema da PEC é que ela nao distingue o que é direito e o que é privilégio”, critica a economista. Ao passo que congela investimentos em campos como a saúde e a educação, a matéria mantém flexível a margem para aumento de salários da esfera de poder, por exemplo. “Situação é muito dramática pela crise econômica e fiscal, mas o grande problema não foi originado de nenhuma ‘gastança’, como dizem. A solução do problema está longe de ser cortar gastos e investimentos, o que lima qualquer chance de retomar a economia”.

Carvalho também acredita que há uma crise de governança, na qual a histeria da população com a corrupção empoderou certos órgãos de controle que não buscam mais a transparência e o combate à corrupção, mas passaram a ditar a política econômica do país. Esse fator trava e bloqueia investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), exemplifica.

“Primeiro que o Estado está longe de estar quebrado, mesmo com a dívida pública tendo saído do controle por razões como o desaceleramento da economia. Mas se o Estado for encarado como esse grande monstro que alguns pintam, fazemos coro com esse tipo de histeria, que inviabiliza a retomada”, assinala. “Não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia em um cenário de recessão como o que aí está. Quem tem de fazer isso é o Estado”.

Os mantras da mídia e a ausência de debate

Se há um problema na análise econômica feita pela mídia hegemônica é que os conceitos são deformados, afirma Luiz Gonzaga Belluzzo. Para o professor da Unicamp, a discussão sobre economia na mídia hegemônica limita-se praticamente a repetir mantras. “A palavra austeridade, por exemplo, do jeito que é tratada, parece algo que é impossível de se posicionar contra”, argumenta. “Assistir aos comentaristas de economia na TV é um exercício de masoquismo, quase um auto-sacrifício”.

Foto: Raphael CoracciniFoto: Raphael CoracciniEle lembra de Yanis Varoufakis, ministro da Finanças do governo Tsipras na Grécia, em 2015, para ilustrar o que se passa no Brasil. “Quando Varoufakis colocava seus argumentos para a União Europeia, recebia caras de paisagem. É a mesma coisa. As pessoas não conseguem, de jeito nenhum, se livrar de refrões que não significam absolutamente nada”, sublinha. 

Após a destituição de Dilma, as manchetes de economia da grande mídia passaram a ser no minímo curiosas, na visão do professor. “Uma das comentaristas da Globo News diz que a crise insiste em não ir embora, como se ela fosse um hóspede incômodo!”, ironiza. “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que apesar de os indicadores estarem em queda, a indústria estaria em franca recuperação”. O paradoxo, recorda Belluzzo, não foi contestado por ninguém da imprensa.

Para Belluzzo, é preciso destrinchar o debate. “As poucas vozes dissonantes nesse meio, como a da Laura Carvalho na Folha de S. Paulo, são constantemente atacadas. Polarização que está ocorrendo leva à incapacidade de entender o argumento do outro”, diz. “A palavra ‘gastar’ virou algo ‘maldito’. Mas o gasto de um é a receita de outro. Se todos cortam o gasto, encolhem”, ilustra.

De acordo com o professor, a ausência de pluralidade na mídia brasileira é um fator crucial para a desinformação. “Sem diversidade de opiniões e ideias, onde prevalece um discurso homogêneo, fica fácil uma visão única fazer sentido. As pessoas não entendem, apenas repetem. Não porque não são inteligentes, mas porque a informação que chega a ela tem essa natureza”, diz.

Golpe, caminho para um projeto sem votos

Professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani define o golpe como a radicalização do projeto liberal no Brasil. “É antigo, mas é um projeto que não passa pelo crivo popular. Essa é a consequência do golpe na economia: levar a uma extrema reforma do Estado passando por cima do voto e da democracia”, sentencia.

Foto: Raphael CoracciniFoto: Raphael CoracciniO governo Dilma aceitou diagnósticos equivocados sobre a crise econômico e como enfrentá-la, pondera Fagnani. Mas o que ocorre no país após o golpe, segundo o economista, é o desmonte completo do Estado social. A obediência ao rentismo, a regressão nos direitos humanos e sociais, a retirada de direitos trabalhistas e a destruição das bases financeiras do Estado descrito na Constituição de 1988 são os ingredientes da receita que vem sendo cozinhada pelo governo ilegítimo, assinala.

Há um falso consenso de que o gasto social é o grande vilão da questão fiscal, opina Fagnani. Essa tese, segundo ele, leva a uma revisão da Constituição. “O gasto social cresce junto com a democracia . Tanto a experiência nacional quanto a internacional mostram que o gasto social está longe de ser esse ponto fora da curva”, defende. 

“Esse conjunto de medidas, em especial a PEC 55, não são peças de um ajuste fiscal, de medidas para a responsabilidade fiscal. Elas significam uma mudança brutal no sistema em que vivemos”, alerta Fagnani. “Assim que as medidas forem aprovadas, o artigo sexto da Constituição e todo o capítulo sobre a ordem social e a garantia de direitos serão transformados em letra morta pela asfixia financeira”. 

Fonte: Barão de Itararé

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Temer fracassa: Recessão se aprofunda e confiança despenca



 
 



















“Recuperação não acontece e PIB deve cair 0,9% no 3º tri”, diz o título de matéria do Valor Econômico nesta segunda-feira (28). A reportagem mostra levantamento junto a 20 consultorias e instituições financeiras. A média das estimativas aponta para a retração do Produto Interno Bruto anunciada no título, que é superior àquela verificada no segundo trimestre - de 0,6%. 

“As previsões para as Contas Nacionais Trimestrais, a serem divulgadas pelo IBGE na quarta-feira, vão de queda de 0,5% até tombo de 1,1% para a atividade no terceiro trimestre”, informa o jornal. Em relação ao mesmo período do ano passado, a intensidade no recuo do PIB deve ser de 3,2% entre julho e setembro. 

O setor de serviços segue em recessão. Os economistas analisam que a indústria não conseguiu sustentar uma recuperação, diante do quadro atual. A ociosidade elevada leva a crer que os investimentos vão seguir em queda.

Num cenário em que o desemprego está em alta e o crédito em baixa, fica difícil apostar no consumo das famílias brasileiras para tirar o país da crise. E, com a valorização do câmbio, que atrapalha a competitividade dos produtos brasileiros, tudo indica que, do setor externo – também impactado pelo baixo crescimento da economia global – também não virá a salvação.

"A retomada não está acontecendo; pelo contrário, os dados mostram que a economia piorou nos últimos meses", afirma Luis Afonso Lima, economista-chefe da Mapfre Investimentos, ouvido pelo Valor. 

Para Silvia Matos,do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a principal frustração em relação às expectativas veio do comportamento do consumo das famílias. Entre julho e setembro, os serviços encolheram 4,1% dentro do consumo das famílias, na comparação com o mesmo trimestre de 2015, calcula. 

Com o aumento de desemprego – além da queda na renda – e sem ter em vista quando será possível uma recolocação no mercado de trabalho, os brasileiros afetados pela crise gastam menos. 

Confiança? 

Dados divulgados pela FGV nesta segunda também indicam que as expectativas pioraram em novembro. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) do Brasil apresentou queda pelo segundo mês seguido. Caiu 1,4 ponto em novembro e foi a 77,5 pontos, após perda de 1,7 ponto no mês anterior.

"A percepção de continuidade da tendência de enfraquecimento do nível de atividade vem impactando negativamente a visão das empresas em relação aos meses seguintes. Com isso, o cenário é ainda de queda na atividade real do setor no último trimestre do ano", disse em nota o consultor do Ibre-FGV, Silvio Sales.

O setor de serviços é apenas mais um a mostrar perdas da confiança em novembro, depois do consumidor, da construção e do comércio.

Talvez (má)fé

No mundo encantado da gestão Temer, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, defendeu, nesta segunda-feira (28), as medidas de austeridade e declarou que “o mercado está aceitando o ajuste gradual”. Não se sabe ao certo o que isso quer dizer e o que representa para a economia real e a vida dos brasileiros. 

“O Congresso sabe que, se atrasarmos uma agenda de reformas, vamos atrasar a recuperação da economia”, disse, ao defender que a votação do teto de gastos será um “teste”, após a crise política desencadeada pelas denúncias contra Geddel Vieira de Melo e o próprio Temer. 

Na entrevista coletiva que o presidente concedeu, neste domingo (27), para tratar do caso, o presidente voltou a falar no poder mágico da confiança. “Não estamos parados, estamos trabalhando para gerar crescimento, que virá pouco a pouco. Primeiro é preciso esperança, depois confiança, que vem crescendo. Vamos tomando atitude que deve gerar mais confiança”, disse Temer, já reconhecendo que a economia só deve melhorar no segundo semestre do próximo ano.

A ideia de que, com o anúncio de políticas de austeridade e o corte de gastos, uma “fada da confiança” surgirá para “recompensar os criadores de políticas por sua virtude fiscal” é combatida por diversos economistas. Incluindo o Nobel de economia, Paul Krugman, que cunhou a expressão remetendo aos contos de fada. 

“Empresários não investem só porque o governo fez ajuste fiscal, mas quando há expectativas de lucro e demanda para o seu produto, da mesma forma as famílias não consomem mais por que o governo fez ajuste fiscal, mas quando há aumento de renda disponível e estabilidade no emprego”, diz o documento Austeridade e Retrocesso, escrito por vários estudiosos que se contrapõem ao discurso do governo. 

E os próprios dados compravam a falácia da gestão Temer, que assumiu sob o discurso de que salvaria o país. Mas presidente e sua equipe continuam a alardear que o Brasil está “entrando nos trilhos”, mesmo com os números da arrecadação, dos investimentos, do comércio, da indústria, dos serviços, dos empregos e do PIB dizendo o contrário. No caso atual, se não há sequer confiança – quanto mais recuperação –, talvez seja mais uma questão de (má) fé mesmo. 



 Do Portal Vermelho, com agências

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Estudantes do IFRN campus Nova Cruz envia representantes para o ato OCUPA BRASÍLIA

Nova Cruz/RN


Está prevista pra esta terça 29 de novembro de 2016 a votação no Senado Brasileiro da PEC 55 (antiga 241/16), essa proposta põe teto nos gastos públicos com questões sociais, tais como, educação, saúde e previdência social. 

Além da PEC, o governo também propõe a MP 746/16 que visa reformular o ensino médio de forma extremamente unilateral, sem diálogo com estudantes, trabalhadores da educação, e dá prosseguimento ao projeto de "Lei da Mordaça" que visa extinguir o papel crítico da escola. 

As milhares de ocupações pelo país lutam contra todos esses retrocessos de forma combativa. Os estudantes não abrem mão do futuro e não aceitam tantos assaltos aos direitos do povo. Os trabalhadores da educação, também resistem com greves e paralisações. 

Por isso, dia 29 de novembro é dia de ocupar as ruas de Brasília e lutar contra a PEC 55, contra a MP 746 e o projeto de lei da Mordaça. Seremos milhares por nenhum direito a menos!

Joseane Rodrigues, Delaías BarbosaIngrid Santos e Wellyson Gustavo 
são os representantes dos estudantes do IFRN Campus Nova Cruz

Fonte: http://erinilsoncunha.blogspot.com.br/

Moro indefere perguntas incômodas feitas por Eduardo Cunha a Temer

O juiz Sergio Moro indeferiu, na manhã desta segunda, 21 de um total de 41 perguntas feitas por escrito pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a Michel Temer. Das 21 perguntas proibidas pelo juiz da Lava Jato, 13 foram consideradas “inapropriadas” por Moro.
O presidente golpista é testemunha de defesa de Cunha. Ele responderá aos questionamentos também por escrito.
Uma das preocupações do chefe da reacionária Lava Jato é a citação a autoridades com prerrogativa de foro privilegiado – caso do presidente da República. A menção a pessoas nessas condições em processo de primeiro grau judicial pode levar até à anulação do caso ou provocar o deslocamento dos autos, prejudicando a vitrine da Operação. Na semana passada, Moro questionou também perguntas relativas a Lula.
Temer enfrenta vários reveses ao mesmo tempo. Perdeu 2 ministros em novembro (Marcelo Calero, da Cultura, e Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo). Calero ainda disse ter registrado em áudio conversas telefônicas com integrantes do alto escalão do governo, como Eliseu Padilha (Casa Civil) além de um diálogo com Temer. Enquanto isso, a economia continua dando sinais de forte recessão. E em breve haverá os vazamentos de conteúdo de delações de mais de 70 executivos da empreiteira Odebrecht no âmbito da Lava Jato.
Cunha chega a perguntar se Temer recebeu Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras envolvido em corrupção, em sua própria residência, em São Paulo, e se teve conhecimento de reunião de fornecedores da Petrobras também em seu próprio escritório, em São Paulo, "com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010".
Em outra questão, pergunta qual é a relação do presidente "com o sr. José Yunes", um dos melhores amigos de Temer, e se ele "recebeu alguma contribuição de campanha" para alguma eleição de Temer.
O ex-presidente da Câmara, abandonado por seus pares e inclusive pelo PMDB, questiona ainda se Temer "indicou o nome do sr. Wellington Moreira Franco para a vice-presidência do Fundo de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal".
Moro afirmou em seu despacho que as perguntas de Cunha mereciam "censura", já que "não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal".
Afirmou também que qualquer denúncia envolvendo Temer deve ser investigada no STF (Supremo Tribunal Federal), e não em Curitiba, já que o presidente tem foro privilegiado.
"Não tem ainda este Juízo competência para a realização, direta ou indiretamente, de investigações em relação ao Exmo. Sr. Presidente da República", concluiu o juiz.
A preocupação com a vitrine da Lava Jato, para que os autos não sejam anulados, poderia estar mesclada com a preocupação em desacelerar a crise no Palácio do Planalto, uma "preservação" que não exclui o caminho no qual o TSE de Gilmar Mendes (que troca farpas constantes com Moro) possa julgar a chapa Dilma-Temer.
Fonte: www.esquerdadiario.com.br/