sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quadro de saúde do folclorista Deífilo Gurgel é gravíssimo


Publicação: 03 de Fevereiro de 2012 às 00:00

Yuno Silva - repórter

O jornalista Alexandre Gurgel, filho do folclorista Deífilo Gurgel, informou na tarde de ontem que o quadro de saúde do folclorista permanecia inalterado. "Ele está sedado, respirando sob auxílio de aparelhos, o coração está funcionando", disse Alexandre, que está sendo porta-voz da família. Na manhã desta última quarta-feira (1), Deífilo teve uma parada cardiorrespiratória. Reanimado pelos médicos, respira com auxílio de aparelhos na UTI do hospital Papi, onde está internado desde o dia 21 de janeiro quando foi diagnosticado um quadro de desnutrição e pneumonia. Os médicos não admitiram a morte cerebral que chegou a ser alardeada nas redes sociais. O quadro permance de caráter gravíssimo.
Alex Régis


 
No ano passado, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Deífilo disse que ainda havia muita coisa para se pesquisar no Estado

A pressão emocional da última quinta-feira, provocada pela  notícia de que sua recuperação seria difícil, desestabilizou a família Gurgel e logo notícias dando conta de seu falecimento circularam com uma velocidade proporcional ao tamanho da admiração que coleciona.

O último guardião da sabedoria oral potiguar é dessas pessoas queridas, reconhecida e bem recebida em qualquer lugar que vá. Seu nome está escrito na história, seu legado é sólido e sua obra já serve como referência. Poeta, escritor, pesquisador, folclorista e, acima de tudo, um apaixonado pela cultura popular, Deífilo Gurgel, 85, está realizando a travessia de que tanto falava.

Em julho do ano passado, quando esta mesma TRIBUNA DO NORTE publicou reportagem sobre sua pesquisa transformada em livro (o ainda inédito "Romanceiro Potiguar"), o folclorista se mostrou preocupado com o futuro das pesquisas sobre as tradições populares ainda pulsantes aqui no RN. "Estou cansado Yuno, não sei se vão querer continuar esse trabalho. Tem tanta coisa ainda pra fazer, nosso Estado é privilegiado por ser dos poucos que conservam a originalidade das manifestações", disse na ocasião, após recitar poema de sua autoria onde fala sobre "passar para a outra margem".

Com olhar absorto e voz fraca, lembrou, naquela tarde, sentado na varanda de sua casa no Tirol, que ainda se recuperava de uma operação realizada dois meses antes (em maio de 2011) para retirada de um tumor benigno da próstata. "Ando meio desanimado", confessou.

O episódio coloca em cheque a continuidade do trabalho que Deífilo desenvolve desde 1971, quando se encantou pelo bailado do Pastoril e pelas cores do Boi.

O livro "Romance Ibérico", que será lançado com apoio editorial da Fundação José Augusto / Secretaria Extraordinária de Cultura, encontra-se na gráfica para impressão da prova final antes da última revisão. Sobre a previsão de lançamento, Isaura Rosado (FJA/SecultRN) disse que "agora vamos aguardar que a família se pronuncie. O que posso adiantar é que nos integraremos a qualquer proposta de homenagem", adiantou.

"Romanceiro Potiguar" mereceu sua atenção por quase 27 anos e traz catalogados 300 romances ibéricos, uma sabedoria secular que corria sérios riscos de desaparecer se não fosse a dedicação e o trabalho incansável do pesquisador.

Professor aposentado da UFRN, onde lecionou disciplina sobre Folclore Brasileiro, Deífilo circulou entre 1985 e 1995 por todo o Estado registrando tudo o que podia sobre a oralidade que restava na memória de potiguares ilustres como Dona Militana e Chico Antônio. O material (anotações e gravações) vinha sendo organizado desde então.

Os grupos de São Gonçalo do Amarante, entre eles o Pastoril e o Boi, os mesmos que encantaram Deífilo Gurgel, informaram que estão à disposição da família para prestar homenagens ao "maior dos incentivadores". "Foi ele quem rebatizou o Boi de Pedro Guagiru, hoje do Mestre Dedé Veríssimo. Era Boi Pintadinho Surubim e passou a ser chamado de Boi Calemba Pintadinho. Deífilo mostrou para todos nós brincantes a importância de se preservar a tradição. Devemos muito a ele", disse Lenilton Lima, do Ponto de Cultura Boi Vivo, que trabalha com grupos de SGA, município da Região Metropolitana de Natal reconhecido como o maior celeiro de Cultura Popular do RN. "Nada mais justo estarmos juntos em uma homenagem especial."

Fonte: Tribuna do Norte

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sinte/RN Regional de Nova Cruz, realiza confraternização natalina

O Sinte/RN Regional de Nova Cruz, realizou nesta sexta-feira, 09 de dezembro de 2011 a sua festa de confraternização, o evento aconteceu na AABB de Nova Cruz, e contou com a participação em peso de proficionais da educação de toda a região agreste. A animação esteve por conta de Edson, que contagiou a galera.
A direção do Sinte/RN, através deste blog agradece a todos que compareceram ao evento e deseja a todos um feliz natal e um próspero ano novo.







 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Convite

A Escola Estadual Alberto Maranhão nos festejos do seu Jubileu de Jequitibá tem a honra de convidar Vossa Senhoria e família para participarem da exposição sobre a professora e escritora Elisângela Teixeira Rodrigues que faz parte do nosso quadro funcional, quando no momento também será realizado o lançamento de mais um de seus livros: O fio oblíquo da Literatura Epistolar Machadiana.

Data: 07/12/2011
Local: E. E. Alberto Maranhão
Nova Cruz/RN
Hora: 19:00h – Sessão de autógrafos
Exposição das obras durante todo o dia.
Leve uma frase da autora, com seu nome, local onde estuda ou trabalha, coloque na urna e concorra a Cd’s com e-books. 

Rosa realiza Feira de Conhecimentos




Gostaríamos de parabenizar a equipe docente e discente da Escola Estadual Rosa Pignataro, pela realização da sua feira de conhecimentos que envolveram todos os alunos e profissionais da educação, não apenas da referida escola, como também das demais escolas da cidade de Nova Cruz.
É assim que se faz educação, que esse ato de conhecimento possa se repetir sempre.
algumas fotos do evento:

 









quinta-feira, 9 de junho de 2011

Trabalhadores decidem manter greve e farão nova assembleia

A assembleia dos Trabalhadores em Educação do estado realizada nesta quarta-feira (8) decidiu manter a Greve. A categoria se reuniu na escola Estadual Winston Churchill e deliberou, ainda, que uma nova assembleia será realizada na próxima terça-feira (14). Os Trabalhadores se reunirão no mesmo local (Winston Churchill), às 14h





segunda-feira, 6 de junho de 2011

Assembleia decide por manutenção e faz outras deliberações

A assembleia realizada na última sexta-feira (3) pelos Trabalhadores em educação da rede estadual deliberou a manutenção da Greve. A Diretoria do Sinte reconhece alguns avanços na luta, mas a proposta feita pelo Governo ainda não é suficiente para o magistério e é omissa com os demais funcionários.

Além de manter a Greve, a categoria decidiu:
- Convidar outros sindicatos para realizar ações conjuntas e fortalecer o movimento;
- Retornar às escolas nesta segunda-feira (6) e organizar a levada da categoria em ônibus para o Ato que será realizado nesta terça-feira (7);
- Veicular nota na TV mobilizando a sociedade a participar do Ato desta terça-feira;
- Veicular VT sobre a greve;
- Incluir na pauta de reivindicações as licenças especiais.


FONTE: SINTE/RN

sábado, 4 de junho de 2011

PROFESSORES DO ESTADO DECIDEM CONTINUAR COM A GREVE


Os professores da rede estadual de ensino rejeitaram a proposta do governo e permanecem em greve. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), Fátima Cardoso, a categoria não aceita a proposta e quer a equiparação dos salários aos demais profissionais do estado. “Não dá para aceitar. Queremos equiparação do salário aos demais profissionais, não podemos ficar com o menor salário da estrutura estadual”, afirmou.
“Fico muito surpresa com o resultado dessa assembléia. Dessa maneira fica difícil avançar nas negociações”, disse a secretária de Estado da Educação e da Cultura, Betânia Ramalho, sobre o resultado da assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no RN – Sinte-RN, que aconteceu na tarde desta sexta-feira, 03.
Na tarde de ontem, 02, foi apresentada aos representantes do Sinte-RN uma proposta do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por intermédio do Gabinete Civil, da Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos (SEARH) e da SEEC, que anunciava o cumprimento imediato do Piso Nacional. Com a proposta, nenhum profissional do magistério perceberia salário inferior a R$ 890, a partir do mês de junho, para jornada de 30 horas semanais, no nível médio, e o escalonamento do Piso Nacional no atual Plano de Cargos, Carreira e Remuneração – PCCR, seria parcelado em quatro vezes, a começar no mês de setembro e concluído no mês de dezembro.
Para o secretário-chefe do Gabinete Civil, Paulo de Tarso Fernandes, a decisão do Sinte-RN é vista com desapontamento. “O Governo fez o seu esforço pensando nos jovens do estado e se desencanta ao verificar que a cúpula do Sinte-RN não tem preocupação com as aulas que não estão sendo dadas. Essa proposta feita era o começo de um avanço histórico para o resgate da dignidade do professor e da eficiência e qualidade do ensino público no Rio Grande do Norte, mas não foi aceita”, disse Paulo de Tarso.

fonte:  http://www.cardososilva.com.br/

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Amigos solidários de rapaz com Câncer também raspam os cabelos!

 
Estudantes do ensino médio de uma escola em Governador Valadares, na Região do Vale do Rio Doce de Minas Gerais, rasparam o cabelo para apoiar um colega de sala que faz tratamento para curar um câncer. Eles organizaram uma surpresa para o garoto de 17 anos, que acabou de passar pelas primeiras sessões de quimioterapia. A ação foi filmada nesta segunda-feira (30) e postada na internet.
“Fiquei meio sem ação. Só consegui rir. Quem não ficaria?", disse Arthur Gonçalves ao G1, contando o que sentiu ao abrir a porta da sala e encontrar os amigos com os cabelos raspados. Ele elogiou a atitude da turma e disse que se sentiu muito acolhido pelos amigos. “Não dá pra explicar, não. Me senti acolhido”, completou, dizendo que a surpresa trouxe motivação e força para continuar o tratamento.
Gonçalves está no terceiro ano e vai tentar vestibular para Engenharia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele enfrenta a doença com o apoio da família e da namorada.
O gesto foi emocionante, segundo a mãe dele. “A atitude dos meninos não foi comum. Foi uma coisa tão alto astral. Fizeram para que ele não se sentisse excluído por estar careca”, disse a mãe. Ainda segundo ela, as garotas da sala também se mobilizaram e acompanharam os colegas até o salão onde cortaram o cabelo.
O câncer, segundo a família, foi descoberto por acaso numa ida ao cabeleireiro. Ao perceber o caroço, ele foi ao médico e uma biopsia contatou um Sarcoma de Ewing na cabeça. O tratamento começou há 21 dias.
A ação do corte de cabelo coletivo foi toda idealizada pelos estudantes, segundo o diretor da escola Rodrigo Cunha. Mas ele e mais dois diretores também resolveram cortar os cabelos. “Resolvemos entrar pelo espírito de solidariedade, em apoio ao aluno e, principalmente, para ele não se sentir diferente da gente. Principalmente por isso. Para ele sentir um clima harmonioso ao regressar às aulas”, completou. Ainda segundo Cunha, o caso gerou uma boa notícia relacionada à educação. “A gente vê tantas tragédias, coisas ruins”, disse.
O vídeo postado na internet já foi visto por mais de 26 mil internautas em quatro dias. Um ex-aluno da escola assistiu ao vídeo em uma rede social e se emocionou com o caso. “Gostaria muito de partilhar a alegria profunda que senti quando soube da história. É uma motivação para as pessoas”, disse Victor Teixeira Aguiar.

fonte:
 

Governo faz primeira proposta para os trabalhadores em educação

O Governo apresentou nesta quinta-feira(02) uma proposta de negociação ao Sinte-RN. Clique aqui e veja o texto integral. Para a coordenadora geral do Sinte-RN, Fátima Cardoso o governo finalmente quebrou o silêncio, mas a proposta ainda não é suficiente para que a diretoria defenda o fim da greve em assembleia. “Demos um passo, mas o avanço foi muito pouco”, avaliou.
Os números da tabela apresentada estão à léguas de distância da proposta apresentada pelo Sindicato. Além disso, o governo não diz nada sobre a principal reivindicação do magistério que é a revisão do Plano de Carreira. Também silencia com relação aos funcionários da educação.
A categoria terá oportunidade de avaliar a proposta do governo em assembleia que será realizada nesta sexta(03), às 14h, no Churchill.
FONTE: SINTE/RN

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Visão De Estudante

Entrevista com o líder da Frente Estudantil da Escola Estadual Djalma Marinho,Tiago Noel da Silva.

Blog O que você tem a dizer com relação a greve da educação?
Tiago Esta questão da greve é bem delicada, pois os professores estão no direito de lutar por aquilo que é na maioria das vezes esquecidos pelos governantes. Eles  estão certos, afinal  professor também é gente.
Blog A governadora estar tratando a educação com dignidade?
Tiago Olhe a governadora estar tratando desse assunto com descaso e não com dignidade, pois os professores estão sendo tratados como um “Zé ninguém”. Governadora nós estudantes estamos sendo prejudicados em virtude de um direito que os educadores tem , e lhes estar sendo negado.
Blog Como aluno de ensino médio você sonha em ser professor?
Tiago Seriamente? Não e principalmente no Rio Grande do Norte, pois esta é uma profissão que não é tratada com respeito, direito e dignidade em nosso Estado.
Blog Que recado você deixaria para governadora Rosalba?
Tiago O que eu tenho pra falar à ela,é sobre a situação em que os alunos se encontram: por favor Sra. Governadora tome uma posição quanto a isso mais rápido possível , pois a onde vai chegar essa educação que na maioria das vezes os governantes dizem querer preservar ?
Blog E para os professores o que você diria nesse momento?
Tiago Senhores educadores, não desistam,continuem lutando por esse direito. Nós que fazemos parte da frente estudantil da E.E.D.M estamos apoiando vocês no que der e vier!
Blog Fale da situação da sua escola como se encontra?
Tiago A precariedade está demais, começando pelo quadro de professores. Em minha escola existem vários estagiários sem a mínima condição de atuar em sala de aula, pois às vezes parecendo mais alunos que professores. O estado físico da escola dispensa comentários;  muro derrubado, quadra de esporte é só nome, pois nenhum aluno tem condições de usá-la devido,a falta de manutenção. Ainda nos falta laboratório de informática e uma biblioteca de qualidade e bibliotecários para nos atender.

EDUCAÇÃO ESTADUAL


Sinte terá audiência com secretária de Educação nesta quinta-feira
A Direção do Sinte participará de uma audiência com a secretária de Educação do Estado, Betânia Ramalho. O encontro será realizado nesta quinta-feira (2), na Casa Civil. A reunião foi confirmada por telefone pela SEEC e o Sinte solicitou a oficialização da audiência.
Segundo a coordenadora geral do Sinte, Fátima Cardos, a audiência tem causado boas expectativas à categoria, pois o Governo já iniciou as negociações com o Sindicato dos Médicos e a paralisação dos Trabalhadores em educação completa 30 dias.
“Dos serviços paralisados, os Trabalhadores da Educação são a única categoria que ainda não teve resposta às suas reivindicações. Esperamos que com esse encontro o impasse comece a ser resolvido.”, afirmou a dirigente.
FONTE: SINTE/RN

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"A escola virou um depósito de crianças"

Professora do Rio Grande do Norte ganha fama ao enfrentar deputados e expor a situação precária da educação no País

Claudia Jordão

http://wm.imguol.com/v1/blank.gifOito minutos. Foi o tempo necessário para a professora potiguar Amanda Gurgel roubar a cena, dias atrás, numa audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Com apenas 1,57 m de altura, mas postura de gigante, ela proferiu um discurso no qual dizia, com ideias bem amarradas e rara transparência, receber salário de R$ 930 por mês (“menos do que os deputados gastam em suas indumentárias”), que os professores vivem uma crise de identidade e estão doentes. A condição indigna dos docentes não é novidade, mas o vídeo com a sincera fala de Amanda correu o País com intensidade impressionante e colocou em foco esse profissional, sobre quem está depositado o futuro do Brasil. Duas semanas depois de o vídeo do discurso ser postado na rede, havia sido visto quase 1,6 milhão de vezes.

Amanda, 28 anos, começou a dar aula aos 21. Há três, foi diagnosticada com depressão, afastou-se da escola e retornou em funções fora da sala de aula. Hoje, dá expediente na biblioteca de um colégio estadual e no laboratório de informática de um municipal. Além dos R$ 930, seu salário do município, recebe R$ 1.217 pelo Estado. Amanda decidiu lecionar ainda adolescente, mesmo sabendo que a remuneração era baixa. “Só entendi de fato o que isso significava quando tive de me sustentar e comprar meu primeiro quilo de feijão”, conta. Órfã de pais desde menina, ela nasceu em Natal e foi criada pelos tios. Estudou em escolas públicas e privadas, no interior do Estado. Solteira, sem filhos, tem uma rotina puxada. Mora sozinha numa quitinete, acorda às 5 horas, pega três ônibus para ir trabalhar e volta para casa somente às 22 horas.

ISTOÉ – O que mudou na sua vida desde a divulgação do vídeo?
Amanda Gurgel – Minha rotina está temporariamente alterada. A repercussão do vídeo gerou um assédio nacional e esse é um momento que eu quero divulgar os problemas da educação no País e ser uma porta-voz de meus colegas. Então, estou me doando.

ISTOÉ – Pensa em se candidatar a algum cargo público?
Amanda – Olha, não me vejo agora fazendo outra coisa. Sei que o meu lugar é na classe trabalhadora, no chão, na escola, junto com os meus colegas. Sou filiada ao PSTU desde o ano passado, mas sempre fui militante, primeiro no movimento estudantil, depois pela causa da educação. Mas, nunca pensei em me candidatar a nada. É uma discussão futura.

ISTOÉ – Como gasta seu salário?
Amanda – Não tenho luxo, só gasto com o essencial, como alimentação, moradia, vestimentas e plano de saúde. Quase não tenho acesso a lazer. A última vez que fui ao cinema foi em 2010.

ISTOÉ – Por que se afastou da sala de aula?
Amanda – Houve um tempo em que eu trabalhava em três horários, estava na rede privada, acabei assumindo o município e tinha uma média de 600/700 alunos. Comecei a dar aula em 2002, tinha 21 anos, estava eufórica, topando tudo. O ápice do problema de saúde foi de 2007 para 2008, quando percebi que estava estafada. Estava em sala de aula com alunos pouquíssimos proficientes. Alunos de sexto ano que não sabiam ler palavras básicas como bola, pato, entendeu? Comecei a me desesperar diante da realidade, não sou alfabetizadora. O que vou fazer se nada do que estou preparada para oferecer eles estão preparados para receber? Sou professora de língua portuguesa e literatura portuguesa e brasileira de alunos dos ensinos fundamental II e médio.

ISTOÉ – Por que as crianças não aprendem?
Amanda – O aluno de 6 anos está em uma sala de aula superlotada e não há condição de alfabetizar ninguém dessa forma. Fala-se muito em democratização do ensino básico, mas se cada etapa do processo de aprendizado não é trabalhada de forma adequada, não há democracia. A escola virou um depósito de crianças, que é o que os políticos querem. Eles querem ter um lugar para deixar a criança enquanto os pais vão trabalhar e nada mais.

ISTOÉ – Foi o início da sua crise?
Amanda – Foi. Fiquei um tempo de licença e voltei em adaptação de função. Minha última aula como professora de português foi em 2008.

ISTOÉ – Quais funções você desempenha em cada escola?
Amanda – A resposta revela um sério problema de infraestrutura. Na escola do Estado, onde trabalho de manhã, estou na biblioteca. Na escola do município, passei por diversas funções. Passei pela coordenação e pela biblioteca e agora estou no laboratório de informática. Apesar de os computadores terem chegado há cinco anos na escola, só agora eles começaram a funcionar.

ISTOÉ – Por quê?
Amanda – Por várias questões. Primeiro, a instalação das máquinas foi muito demorada. Para isso, é necessário um técnico da secretaria porque a escola perde completamente a garantia daquelas máquinas se acontecer qualquer coisa errada. Depois de instaladas, foi um longo processo para a chegada de um técnico para fazer funcionar a internet e outro extenso período para a instalação do ar-condicionado na sala. Foram cinco anos que nós passamos com os computadores na caixa e com aquela sala fechada, apesar de toda a carência que se tem de espaço.

ISTOÉ – Qual o principal problema da educação no País?
Amanda – Se for para eleger um apenas, eu diria a falta de investimento. Como pode um País que deveria investir 5% do seu PIB em educação e investe 3%, paga esse salário irrisório aos professores e deixa a estrutura da escola chegar a um estágio de precarização que precisa ser interditada, como aconteceu numa escola no interior do Rio Grande do Norte, na cidade de Ceará Mirim?

ISTOÉ – Por que foi interditada?
Amanda – O corpo de bombeiros interditou a escola porque nada mais funcionava lá. O teto estava para desabar, a instalação elétrica estava precária, oferecendo risco à integridade física dos alunos e dos professores. Todos esses problemas estão relacionados à falta de investimento. Com um salário digno, o professor poderia ficar na escola, preparando as aulas, conhecendo os alunos, poderia evitar casos como o do atirador Wellington de Menezes. Como um professor vai ser capaz de observar algo se ele tem 600 alunos e não é capaz de, quando chega em casa, visualizar quem são todos? Não temos como mudar essa realidade se não tivermos um investimento imediato. Não estou falando de daqui a dez anos. Há a necessidade de se investir 10% do PIB do País em educação.

ISTOÉ – A que você credita a sua educação?
Amanda – É uma junção de coisas. Desde muito novinha, sempre fui metida. Comecei a ser alfabetizada e já corrigia as pessoas. Também acho que o funcionamento das escolas no interior é bem diferente do da capital. Nas cidades pequenas, onde estudei, funciona melhor. O fato de o professor ter acesso direto aos pais dos alunos coloca a criança e o adolescente na situação de “eu não posso sair da linha, senão o professor vai falar para a minha mãe”. Então, há mais disciplina. Minha educação de base foi de fato muito boa.

ISTOÉ – Se algum aluno disser a você que quer ser professor o que diria?
Amanda – Depende do dia. Acho que fiz certo, mas tenho meus momentos. Já cheguei a dizer ‘não quero mais’, mas em outros momentos, como hoje, estou me sentindo cheia de energia para estar na sala de aula e trabalhar com o aluno. Quando a gente é adolescente, tem uma estrutura familiar por trás. Sempre soube que professor ganhava mal, mas só entendi de fato o que isso significava quando tive de me sustentar e comprar meu primeiro quilo de feijão.

Assembleia decide continuar a greve por unanimidade

A greve continua. A decisão foi tomada em assembleia realizada hoje(31) pela manhã. A avaliação dos presentes é que a greve está forte e precisa ser intensificada, com a presença da categoria nas atividades organizadas pelo Sindicato.
O coordenador geral do Sinte-RN, José Teixeira, observa que a postura da governadora é um desrespeito a toda a sociedade que já está convencida da legitimidade das reivindicações da educação. “O que precisamos é que a categoria se mantenha firme e aumente mais ainda a sua presença nas atividades de greve”, defendeu Teixeira.
Já a coordenadora Fátima Cardoso lembrou que os recordes de arrecadação e a queda do limite prudencial jogaram por terra os argumentos do Governo para não atender as reivindicações do movimento. “O discurso da Governadora Rosalba se esgotou”, afirma Fátima, acrescentando que é hora de reforçar a luta.
A assembleia também deu atenção a questões específicas dos funcionários de escola. Ficou decidido que o SINTE-RN entrará com uma Ação Judicial representando os funcionários da educação, exigindo o pagamento do Plano de Carreira de acordo com a Lei.
A diretora de assuntos funcionais do Sindicato, Janeayre Souto, comemorou a decisão da assembleia: “não podemos ficar reféns da Lei de Responsabilidade Fiscal é preciso lutar de todas as formas para garantir os nossos direitos”, ressaltou.
A Assembleia também contou com a presença de lideranças estudantis. Em seu discurso o vice-presidente da UMES, Pedro Henrique, lembrou que a luta é de todos os que fazem a educação: “Esta é uma luta das duas classes, precisamos nos manter de mãos dadas”, afirmou.

fonte: http://sintenovacruz.blog.uol.com.br/