quarta-feira, 17 de maio de 2017

Marcha contra reformas e defesa dos direitos terá 100 mil em Brasília



 
 

















Pelos números da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), cerca de 200 ônibus mobilizados pela entidade chegarão a Brasília. Os cálculos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) prometem 5 mil sindicalistas na capital federal. 500 ônibus é o que prevê a Força Sindical.

“Na greve geral achava que a paralisação seria grande mas o que aconteceu superou a expectativa. Estamos muito otimistas com a marcha de Brasília será um ato que também pode superar as expectativas”, afirmou o metroviário Wagner Gomes, secretário-geral da CTB. Ele adiantou ainda que o sindicato dos metroviários de São Paulo levará 9 ônibus a Brasília.
 
"Não quiseram ouvir os trabalhadores"

O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), José Calixto,  afirmou ao portal da central que o Ocupe Brasília é o primeiro passo para uma nova greve. Segundo ele, Temer e Rodrigo Maia não “quiseram” ouvir os trabalhadores.

"Essas atitudes mostram total insensibilidade e falta de diálogo com o povo brasileiro. Se eles não nos ouvem, resta aos trabalhadores protestarem, o que é direito garantido pela constituição”, enfatizou o presidente da NCST.
 
Ele citou ainda os milhões de trabalhadores representados pelas confederações que compõem a NCST. “As confederações que compõem nossa central (CNTI, CSPB, CNTTT, CNTEEC e CONTRATUH) estão unidas e organizadas para o enfrentamento às tentativas de retirada dos direitos da classe trabalhadora. Nosso grito é unificado – por nenhum direito a menos", defendeu José Calixto.

Reformas cruéis

“As reformas são tão cruéis que ajudam na mobilização”, completou Wagner. Na opinião dele, o movimento social tem feito sua parte, levando argumentos aos parlamentares. Ele comentou declaração do relator da reforma trabalhista no Senado Ricardo Ferraço (PSDB-ES) de que vai sugerir “melhorar a regulamentação do trabalho intermitente”.
 
Marcos Verlaine, consultor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, definiu assim o trabalho intermitente: “No contrato zero hora, o trabalhador fica à disposição 24 horas por dia. O valor a ser pago pode ser fixado de acordo com o horário que será trabalhado ou com o serviço que será feito”. Esse trabalhador também não os mesmos direitos de uma contratado direto.

“Não existe isso de regulamentar melhor. O trabalho intermitente é a volta da escravidão, contrata por empreitada, depois termina e estamos conversados. Não soma para aposentadoria, férias, pra nada”, denunciou Wagner.

Raposa toma conta do galinheiro

Ricardo Ferraço que é o relator pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) vai acumular também a relatoria da reforma trabalhista pela Comissão de Assuntos Sociais. Atualmente, o Projeto de Lei da Câmara 38/2017 que trata da reforma trabalhista tramita na CAE. 

Romero Jucá, líder do governo no Senado, é o relator da reforma na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A expectativa de que alguém ligado aos trabalhadores pudesse ser escolhido para relatoria não se confirmou.


Na Câmara, a reforma da Previdência aguarda para ir à votação em plenário. Como se trata de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), no caso a 287, o texto precisa passar por duas votações em plenário e ter no mínimo 308 votos. Ainda não há data para votação. Na opinião dos dirigentes, o governo tem dificuldades em obter os votos necessários para aprovar.

Por Railídia Carvalho

Do Portal Vermelho 

Reforma da previdência induz "corrida por privilégios"


 
 


Segundo previsão do IBGE, a porcentagem de idosos no país irá triplicar até 2060, saltando de 18 milhões para 58 milhões, ou de 8,5% para quase 26,8% da população. 

Mas usar apenas esses dados como determinantes para uma reforma da magnitude apresentada pelo governo federal pode ser um erro, podendo colocar em risco a segurança social de milhões de brasileiros nas próximas décadas. Essa é a avaliação do economista e professor das Faculdades Rio Branco, Onofre Portella, durante aula que concedeu na 8ª edição do Programa Rio Branco para Jornalistas.

Portella chama atenção, inicialmente, para as críticas feitas ao sistema previdenciário do país como se fosse o maior gasto da União quando, na verdade, o primeiro gasto do Estado brasileiro é com a amortização e com os juros da dívida pública que, só em 2016, foi de R$ 407 bilhões. E, derrubar a taxa de juros em termos reais, seria apenas um dos mecanismos que o governo Temer poderia tomar para reduzir os gastos da União com o adendo de que, a redução da Selic, favoreceria o setor produtivo.

Outra questão não aprofundada na reforma é a forte distorção entre os regimes de aposentadoria vigentes no país, isso é o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que rege a aposentadoria dos servidores públicos, e o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atendendo os demais trabalhadores.

Como se criou o déficit

O país tem hoje cerca de 33,4 milhões de beneficiários no regime do INSS que receberam, em 2016, o total de R$ 507,9 bilhões. Essa carteira é remunerada em um sistema tripartite composta por recursos de trabalhadores em atividade e empregadores, que formam a receita líquida do sistema, e recursos União. Considerando apenas a receita líquida, o sistema recebeu no último ano R$ 358,1 bilhões. 

A diferença, R$ 149,7 bilhões, paga pela União, foi contabilizada como déficit, mas, na verdade, poderia ser diferente se os governos federais cumprissem a contrapartida colocada na Constituição Federal de 1988 que vinculou as receitas do recolhimento do Cofins, CSLL, PIS/PASEP e das Loterias ao sistema de seguridade social, o que não tem sido cumprido desde os anos 1990.

“O aporte dessas taxas e contribuições representaria o dobro da receita e aproximadamente 40% a mais das despensas na previdenciária, ou seja, com o sistema consolidado pela Constituição Federal de 1988 a Previdência estaria equilibrada”, pondera o professor.

Para chegar ao cálculo do déficit de R$ 260 bilhões, Portella incluiu os gastos com as aposentadorias e pensões dos servidores públicos no Brasil que, em 2016, alcançou cerca R$ 110 bilhões para atender 989 mil beneficiários. Nesse ponto, o economista chama atenção para a grande disparidade entre as rendas médias dos beneficiários do INSS e dos beneficiários do Regime Próprio de Previdência Social, se tornando uma espécie de distribuição de renda inversa, ou seja, favorecendo a concentração dos recursos em um grupo cada vez menos representativo da sociedade brasileira. 

Enquanto beneficiários do INSS recebem um valor anual médio de R$ 15,2 mil, incluindo o 13º salário, os servidores aposentados chegam a receber, em média, R$ 100 mil por ano, no caso de terem trabalhado em algum órgão do Executivo, ou até R$ 390 mil, se tiverem sido do Judiciário. 

Portella reconhece que retirar benefícios desse grupo, que inclui também militares, legisladores e promotores, é um grande desafio para qualquer presidente, entretanto não há como negar as fortes disparidades é a necessidade de se iniciar algum diálogo, acrescentando que, nos moldes propostos pelo governo atual, a reforma, como recentemente apontou o próprio presidente do INSS, Leonardo de Melo Gadelha, acabou se transformando em uma corrida por privilégios. 

O economista alerta, portanto, que a reforma em discussão no Congresso vai contra o caráter da Constituição Federal de 1988, pensando no quadro mais amplo proposto pela Carta, de incluir a previdência dentro da Seguridade Social, assim como ponderou o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, em entrevista para o programa Na Sala de Visitas com Luis Nassif, quando destacou que o sistema previdenciário brasileiro foi pensado nos mesmos moldes dos sistemas europeus que compõe a OCDE e que ainda mantém a proposta tripartite de financiamento.

“Nos países da OCDE a participação média do governo no orçamento previdência é de quase 50%, o caso mais extremo é o da Dinamarca, onde 75% da seguridade é financiada pelo governo, através do recolhimento dos impostos gerais”, explicou Fagnani. Assim, com a reforma, o Brasil se mantém na contramão das nações desenvolvidas. 


 Fonte: GGN

Dirigente diz que reforma trabalhista é tragédia e que faltou diálogo



Edu Guimarães/SMABC
Protesto de Metalúrgicos do ABC contra reformas
Protesto de Metalúrgicos do ABC contra reformas



















Entre os pontos negativos da medida ele destacou que o descarte da representação sindical nas negociações de acordos trabalhistas em empresas com mais de 200 empregados, conforme prevê o PLC (Projeto de Lei Complementar) 38/2017, vai deixar a “raposa tomando conta do galinheiro”.
 
Para Nobre, a falta de estabilidade no emprego, outro problema da proposta, vai gerar incertezas e aprofundamento da crise econômica. “Qual trabalhador com contrato em tempo parcial, intermitente ou terceirizado pode ter a tranquilidade de comprar uma geladeira, um automóvel em 30 prestações? Qual vai ter a tranquilidade de entrar em um financiamento da casa própria? Não vai fazer. É uma reforma recessiva”, disse.
 
Ele lembrou também que, com tantos retrocessos, a medida é rejeitada pela maior parte da população, o que motivará uma nova greve geral ainda maior do que a do dia 28 de abril.
 
“Em nome de todas as centrais sindicais brasileiras, se essa Casa teimar em não ouvir a voz da classe trabalhadora, se insistir nesse caminho de desmonte da legislação trabalhista, vocês podem esperar, vamos construir greve geral muito maior do que foi a do dia 28”, alertou.
 

Para Sérgio Nobre, a única alternativa é retirar o projeto da pauta e estabelecer uma mesa de negociação. “O caminho do bem senso é retirar essas reformas e discutir de maneira democrática com quem pode decidir sobre elas, que são trabalhadores e empresários em uma mesa de negociação de maneira democrática e legítima.”

CUT

terça-feira, 16 de maio de 2017

“Governo Temer não resolveu recessão e é fracasso para trabalhadores”



Marcos Oliveira/Agência Senado
 
 




















“Para quem é um sucesso o governo Temer? Para os bancos, que estão lucrando muito, e para os investidores financeiros de maneira geral. Quando você vê nos jornais a avaliação de que o Brasil está melhorando, é muito baseada na opinião dessas pessoas. Para elas, está de fato melhorando. Mas, para quem precisa de trabalho, de renda e crédito, o Brasil piorou”, disse Mello, em entrevista ao Vermelho. 

No último dia 12 de maio, Michel Temer completou um ano na Presidência. De abril de 2016 até março de 2017, o número de desempregados saiu de 11,4 milhões (11,2%) para 14,2 milhões (13,7%). E, embora o governo divulgue que a economia voltou a crescer, de fevereiro a março deste ano o setor de serviços teve redução de 2,3%, o maior recuo da série, iniciada em 2012. No mesmo período, a produção industrial caiu 1,8% e as vendas do comércio varejista 1,9%, no pior resultado em 14 anos.

“No geral, o governo não conseguiu entregar o que prometeu”, avaliou Guilherme Mello. Ele destacou que, quando Temer assumiu, já estava em curso um processo recessivo no país, que vinha desde 2015. Naquele momento, o próprio ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, Joaquim Levy, já havia tratado de colocar em prática um pedaço da “estratégia liberal”, que incluiu corte de gastos, ampliação de juros e liberação dos preços administrados. O resultado do ajuste foi o aprofundamento da recessão. 

“Então, o que Temer fez? Ele entrou prometendo retomar o crescimento por meio de reformas de longo prazo – terceirização, reforma trabalhista, da Previdência, PEC do teto de gastos. É como se ele falasse: ‘Levy fez o ajuste no curto prazo, mas não deu certo, não promoveu o crescimento, porque precisava fazer reformas de longo prazo. Precisa ser crível, confiável esse ajuste’”, diz Mello, sobre o discurso da gestão do PMDB. 

De acordo com ele, essas reformas, contudo, alteram completamente a Constituição brasileira e o próprio paradigma do que é o Estado no Brasil. E, além de tudo, não têm servido para retomar a atividade econômica. “A aposta deles é assim: se a gente tirar o Estado brasileiro, o crescimento vai vir porque a confiança vai voltar. Então eles estão tirando completamente, sem colocar nada no lugar, mas o crescimento não vem, a confiança não volta e o desemprego não para de crescer”, criticou o economista.

Ilusão estatística

O governo tem anunciado que o país “entrou nos trilhos” e a retomada do crescimento "já começou". Segundo o professor da Unicamp, o discurso oficial não se sustenta, “é mera ilusão metodológica”. Isso por que, explicou, o otimismo da gestão é muito baseado em alguns indicadores de confiança – “mas confiança não é crescimento, porque eu posso estar confiante e não investir” – e em índices divulgados pelo IBGE em abril, que revisavam os indicadores relativos ao desempenho do comércio e dos serviços em janeiro. 

A princípio, o órgão havia anunciado que, no primeiro mês do ano, as vendas do comércio caíram 0,7% em relação a dezembro, e os serviços recuaram 2,2%. Com a revisão, houve uma mudança brusca nos resultados. O comércio teria crescido 5,5% e o setor de serviços, 0,2%. A explicação para alteração tão intensa é uma mudança metodológica. 

Para Guilherme Mello, a revisão é problemática, uma vez que não é possível comparar dados do ano passado – que utilizavam uma metodologia antiga, diferente – com as informações deste ano, coletadas a partir da nova metodologia. Na sua avaliação, do ponto de vista técnico, estatístico, a comparação é equivocada. 

“É comparar laranja com banana. Com a mudança na metodologia, eles poderiam ter continuado a série antiga por mais um ano, para a gente perceber qual é a tendência, ou poderiam aplicar a metodologia nova para os dados antigos, para que a gente veja o que aconteceu no último ano. Mas eles se recusaram”, condenou.

Segundo o economista, o resultado revisado, portanto, não é confiável. “Fizeram essa comparação e aí aparece lá na estatística que tem crescimento. (…) Mas isso daí é uma fraude estatística. Não digo que a nova metologia seja uma fraude, pode ser muito bem feita, mas a comparação é que é equivocada. E eles se baseiam nessa comparação para defender que o crescimento voltou. Mas, se pegar a trajetória, mês passado, por exemplo, continua lá: consumo caindo, serviços caindo, comércio, indústria ruins”, ressaltou.

Na avaliação do professor, o máximo que o cenário permite avaliar é que há uma desaceleração do ritmo de queda da atividade econômica, o que, para ele, é natural em uma economia que está há dois anos em recessão. “Não tem muito mais para onde cair”, disse.

Austericídio

Em discurso para marcar um ano de governo, Temer ressaltou a ação de sua equipe no sentido de equilibrar as contas públicas. Citou como exemplo a regra que limita o crescimento dos gastos públicos. 

Guilherme Mello lembrou que a gestão sempre partiu da ideia de que, cortando gastos e investimento público, seria possível resolver o problema fiscal. “Então fecha hospital, fecha faculdade, para de investir, não constrói rodovia, não constrói ferrovia, não faz nada. Só que, ao cortar gastos – especialmente em investimentos, que foram os que caíram muito –, o governo reforçou a recessão. Caiu a receita. Eles nunca iam conseguir entregar o que prometeram, que era melhorar as contas públicas, com esta estratégia.”

De acordo com ele, para resolver o problema fiscal, é preciso que o país volte a crescer. “O problema é que apostaram em estratégia de retomada do crescimento que fracassou. É a mesma estratégia do Levy, só que o Levy começou com o ajuste de curto prazo; Temer inverteu – ‘primeiro aprovo as reformas, depois vou fazendo os ajustes’, que é a ideia da PEC do teto”, afirmou.

Catástrofe para trabalhadores

O economista analisou que ambos os ministros fracassaram, porque partiram de um ponto de vista de como funciona a economia que é “equivocado”. “Eles acham que o problema é o custo do trabalho, que está muito caro e, portanto, tem que ser reduzido. E só assim o empresário iria lá e investiria. E como reduzir o custo do trabalho? Reduzindo direito trabalhista e salário. Como se reduz salário? Promovendo desemprego e recessão. Então eles fazem uma reforma trabalhista, que tira direitos, e promovem desemprego e recessão. E acham que assim o Brasil vai voltar a crescer. É óbvio que não funcionou.”

Temer e Meirelles têm celebrado a queda da inflação como uma conquista da gestão. O professor da Unicamp, contudo, destacou que o recuo já estava previsto e vem desde o governo Dilma, como consequência da própria recessão. “A queda da inflação é a consequência positiva de um fenômeno extremamente perverso, que é a recessão”, indicou. 

Ele projetou que “é muito provável” que este ano o país tenha um crescimento muito próximo de zero, mas não descartou que haja um resultado negativo. “E é zero em cima de um PIB que já caiu mais de 7% (somando-se 2015 e 2016). Então a gente estagnou na série D. E, se tiver algum crescimento positivo, vai ser muito pequeno e puxado principalmente pela agropecuária, que é uma coisa que está muito fora do controle do governo”, opinou. Na sua análise, o bom desempenho da agropecuária tem pouco a ver com medidas de governo e deve-se, principalmente, a fatores como o clima e o mercado internacional. 

“Então o balanço deste um ano de governo depende do lado que você está. Se você é um banqueiro ou investidor financeiro, talvez o governo não tenha sido tão ruim. Mas, se você é um trabalhador ou pobre, aí é uma catástrofe”, disparou.

Alternativas

Questionado a respeito das alternativas às medidas econômicas de Temer, Mello citou a necessidade de se realizar, sim, reformas, mas no sentido oposto às propostas pela atual gestão. “As reformas deveriam privilegiar a distribuição de renda. Ou seja, cortar privilégios dos que têm mais e garantir e aumentar investimentos e direitos para os que têm menos”, disse. Para ele, seria importante realizar uma reforma tributária que desonerasse a produção e o trabalhador e onerasse o estoque de riqueza dos mais ricos.

Além disso, ele defendeu que o governo deveria buscar formas de financiar o aumento do investimento em infraestrutura, que gera emprego e demanda; ampliar o crédito utilizando bancos públicos; e manter o câmbio um pouco mais desvalorizado. 

“Acho que o Brasil está na contramão do desenvolvimento. Investe em uma estratégia que não só não promove desenvolvimento, como vai inviabilizar o desenvolvimento para o futuro”, lamentou.

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho 

Por apoio em reforma, Temer assina MP para parcelamento de dívidas



Reprodução
 
 




















A medida provisória prevê a renegociação das dívidas dos municípios com a Previdência Social. De acordo com a Receita Federal, no ano passado, as dívidas dos municípios com o INSS somaram R$ 25,6 bilhões.

O texto prevê três pontos principais: O parcelamento em até 200 meses da dívida dos municípios; redução dos juros em até 80%; redução de 25% nas multas e encargos da dívida.

"O que mais me agrada neste momento é que eu posso assinar essa medida provisória com parcelamento em 200 meses do débito previdenciário. E convenhamos, não é apenas parcelar. Nós parcelamos, 25% dos encargos, reduzimos 25% das multas e [...] 80% dos juros. Então é algo que visa exatamente a este caminho do fortalecimento da federação", afirmou Temer após a assinatura.

A estratégia de Temer ao assinar a MP é tentar garantir apoio para aprovar a reforma da Previdência, que precisa de 308 votos favoráveis. O financiamento das dívidas com o Funrural pode assegurar o apoio da bancada ruralista, que tem 109 deputados. No caso dos municípios, o parcelamento vai colocar as prefeituras em dia com a Previdência, condição necessária para que recebam dinheiro das emendas voluntárias dos parlamentares.

Logo após a medida ser assinada, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, anunciou que a entidade vai apoiar as novas regras para a aposentadoria. “Tomamos a decisão de apoiar a reforma da Previdência, com base em números e dados concretos”, disse.



 Do Portal Vermelho, com agências

Metalúrgicos de São Paulo organizam mobilização para Marcha a Brasília



 
 




















Nesta e na próxima semana, o sindicalismo decidiu intensificar as ações de pressão no Congresso Nacional, com mobilização em Brasília prevista para quarta (17) e dia 24, quando está confirmada a Marcha e “Ocupação” de Brasília.

A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes se reuniu ontem (15), para debater os detalhes da mobilização que começa em Brasília e já definiu como será a participação da categoria na Marcha.

Mobilização

O presidente Miguel Torres conversou com a Agência Sindical na manhã desta terça (16). Ele disse que os trabalhadores estão mobilizados. "Vamos fazer uma grande movimentação em Brasília. Os políticos precisam entender que essas reformas só prejudicam a classe trabalhadora”, disse. Os dirigentes sindicais irão visitar os deputados e senadores em seus gabinetes, fazer corpo a corpo e pressionar o governo.

O dirigente metalúrgico informou que o Sindicato está preparando três ônibus com trabalhadores da base, que vão integrar a caravana que a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM/Força Sindical) vai levar à Capital Federal dia 24.

“Vamos lutar de todas as formas possíveis, mobilizar os trabalhadores, trabalhar em unidade, que dá força à luta, e resistir. Nem um direito a menos”, afirma Miguel Torres. 

Agência Sindical

domingo, 14 de maio de 2017

Centrais se preparam para "invadir" Brasília contra reformas de Temer



 
 




















Com a proximidade das votações de reformas do governo Temer, as centrais sindicais e movimentos sociais começam a partir desta semana uma série de ações tendo Brasília como alvo principal. Uma mobilização já está confirmada para quarta-feira (17), com visitas a gabinetes no Congresso, e uma semana depois as entidades farão marcha e ocupação na capital federal. 

Segundo as centrais, haverá "atividades nas bases sindicais e nas ruas para continuar e aprofundar o debate com os trabalhadores e a população sobre os efeitos negativos (das reformas) para toda a sociedade e para o desenvolvimento econômico e social brasileiro. Uma nova greve geral é uma possibilidade. "Sempre está no horizonte", diz o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. 

O primeiro passo, observa, é fazer um "trabalho de convencimento" com deputados e senadores. A Câmara ainda votará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de "reforma" da Previdência. A comissão especial que analisava a PEC aprovou o relatório por 23 votos a 14. Para aprovação em plenário, o governo precisa de 308 votos, e a base governista não tem convicção, neste momento, de que conseguirá atingir esse número, dada a rejeição ao tema, e pode protelar a votação até junho.

"A Previdência é muito mais sensível à população", observa o presidente da UGT, Ricardo Patah, para quem depois da greve geral de 28 de abril o ambiente político mudou. Ele também destaca a reunificação das centrais depois de "algum distanciamento" ocorrido durante o processo de impeachment. "Toda a vez que a gente se dividiu, perdeu", diz Sérgio Nobre.

Greve geral

"A forte paralisação teve adesão nas fábricas, escolas, órgãos públicos, bancos, transportes urbanos, portos e outros setores da economia e teve o apoio de entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, associações de magistrados e advogados trabalhistas, além do enorme apoio e simpatia da população, desde as grandes capitais até pequenas cidades do interior", afirmam as centrais (CGTB, CSB, CSP-Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical, Intersindical, Nova Central e UGT) em nota divulgada logo depois de reunião realizada na última segunda-feira (8), em São Paulo.

No mesmo documento, as entidades fazem referência à ocupação em Brasília. "Conclamamos toda a sociedade brasileira, as diversas categorias de trabalhadores do campo e da cidade, os movimentos sociais e de cultura (...) para reiterar que a população é frontalmente contra" a aprovação das reformas e qualquer tentativa de retirada de direitos.

"É uma reforma para o setor patronal", disse o senador Humberto Costa (PT-PE) à chegada do projeto de "reforma" trabalhista, aprovado na Câmara como PL 6.787 e agora tramitando como PLC 38. Na semana que começa, estão previstos mais debates: na terça (16), haverá nova sessão temática em plenário e na quarta, outra sessão conjunta entre comissões de Assuntos Econômicos e Assuntos Sociais. O projeto vai passar também pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – na sexta (12), o relator da projeto na CCJ, Romero Jucá (PMDB-RR), recebeu representantes das centrais. O governo pressiona para votação em regime de urgência, mas os senadores afirmam, pelo menos oficialmente, que isso só será discutido depois de mais debates nas comissões. 


 Fonte: Rede Brasil Atual

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Morre Antonio Candido, um dos mais importantes sociólogos do Brasil


Antonio Candido morreu aos 98 anos, nesta sexta-feira (12), em São Paulo
Antonio Candido morreu aos 98 anos, nesta sexta-feira (12), em São Paulo


Antonio Candido foi professor de Literatura na USP, entre suas muitas obras, destaca-se a Formação da Literatura Brasileira (1959), na qual estuda os momentos decisivos da formação do sistema literário nacional.

Ao lado de outros intelectuais, como Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), participou da fundação do PT, em 1980. Entre os prêmios que recebeu estão o Camões, em 1998, e o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México, em 2005.

Candido foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética no Departamento de FFLCH-USP, que morreu em 2005. Ele deixa as filhas e também professoras de História da USP Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.

O intelectual nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, e durante a infância não frequentou a escola, foi educado em casa pela mãe professora. Em 1937 ingressou na universidade nos cursos de Direito e Ciências Sociais da USP. Oito anos mais tarde, em 1945, tornou-se livre-docente de literatura brasileira e em 1954 doutor em Ciências Sociais. 

Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978. Além da destacada Formação da Literatura Brasileira, destacam-se seus estudos sociológicos sobre o “caipira paulista e sua transformação” em Os Parceiros do Rio Bonito (1964).

A notícia foi divulgada pela família, que não revelou a causa da morte do intelectual de 98 anos. O velório acontece até as 17 horas no hospital Albert Einstein, na capital paulista. 


Do Portal Vermelho

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Em praça lotada, movimentos recebem Lula e defendem democracia


Curitiba (PR) transformou-se nesta quarta-feira (10) no centro de resistência em defesa da democracia. Para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro, referente à Operação Lava Jato, cerca de 20 mil pessoas ocuparam a praça Santos Andrade em um ato político, prestando solidariedade ao ex-presidente e denunciando as arbitrariedades do judiciário brasileiro. 

Por Laís Gouveia 


Mídia Ninja
 



















Aos gritos de “Lula, Guerreiro, do Povo Brasileiro”, lideranças políticas, representantes de movimentos sociais e sindicais participaram do ato, reafirmando em suas falas seu apoio ao ex-presidente. 


Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), criticou a postura seletiva do judiciário. “O Sérgio Mouro desmoraliza a justiça e a democracia, esse cidadão não tenha nenhuma autoridade moral para julgar Lula. Quando é que esse juiz chamará o Beto Richa, Aécio Neves para deporem? Só se for para tomar um chazinho das cinco, Moro é um juiz parcial que quer se apresentar como xerife do Brasil, mas essa postura não cabe numa democracia. Eles tentaram fazer um espetáculo, mas o que aconteceu hoje em Curitiba foi uma ação de resistência democrática, nós não aceitaremos que um processo judicial seja transformado numa desmoralização política”, afirma. 














A estudante secundarista Ana Julia, símbolo da resistência no movimento de ocupação das escolas contra a Reforma do Ensino Médio, participou do ato e ressaltou a importância da luta em defesa da democracia. “Hoje é um dia de resistência contra essa repressão que atingem os estudantes e a esquerda. Também é uma data para lutar contra todos os retrocessos impostos por esse governo ilegítimo, como a PEC 241 que esse Senado corrupto aprovou. Devemos seguir em frente fazendo a defesa da escola pública de qualidade e para que o povo tenha seus direitos respeitados, esse judiciário brasileiro é seletivo e quer condenar a pessoa que mais fez pelo Brasil. Seguimos na luta contra todos os retrocessos, não adianta tentar nos derrubar, não conseguirão, continuaremos ocupando as escolas e as ruas”, disse a secundarista. 
















A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, destaca o Brasil que se transformou nos últimos anos, reflexo das gestões petistas: “O nosso país mudou muito, viu o filho do pedreiro na universidade, uma família poder ter sua casa própria, construiu, através das cotas, o combate à exclusão social, esses direitos foram conquistados com muita luta, mas foi Luiz Inácio Lula da Silva que conduziu esse projeto, eles não conseguem vencer respeitando o devido processo legal e recorrem ao golpe, por isso ocupamos as ruas, por justiça e democracia" , relembra a estudante. 



Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) avalia que a resistência em apoio ao ex-presidente seguirá firme. “O povo ocupou as ruas nesta quarta-feira dizendo que não irão se calar, em 2018 estaremos novamente nas ruas para eleger mais uma vez Lula para governar esse país, promovendo o desenvolvimento e transformação nacional”, assegura.



O dirigente do Movimento sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, avalia o movimento em defesa da democracia vitorioso. “O dia de hoje transcorreu sem nenhum problema, com milhares de pessoas em um clima de paz e resistência contra essa perseguição do Moro aos movimentos sociais, especialmente ao presidente Lula. O que está em jogo nesse momento político, são os avanços do Brasil que foram galgados nos governos Lula e Dilma, por isso a importância da sua defesa. A vitória do ex-presidente é uma vitória de classe. Se mexem com nosso líder, mexem com todos nós”, denuncia. 



Após a fala das lideranças políticas e dos movimentos sociais, a presidenta eleita Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula foram recebidos pela multidão no ato. 




Do Portal Vermelho

terça-feira, 9 de maio de 2017

Estudante Mateus, agredido em ato, sai da UTI e já consegue respirar


O estudante da Universidade Federal de Goiás (UFG) Mateus Ferreira da Silva, 33 anos, agredido por um policial militar durante o protesto da Greve Geral no dia 28 de março, em Goiânia (GO), foi transferido da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um leito de enfermaria. 


Reprodução/Arquivo Pessoal
Estudante Mateus 
Estudante Mateus 





















De acordo com um boletim médico divulgado pelo Hospital de Urgências de Goiânia (Gugo), o jovem está com quadro de saúde estável, respira sem ajuda de aparelhos e já está falando. O estudante, que ficou 11 dias na UTI, sofreu traumatismo cranioencefálico e múltiplas fraturas.

Mateus, que morava em São Paulo e mudou-se para Goiânia para estudar, participava da Greve Geral contra as reformas trabalhista e previdenciária do Governo Temer, quando levou um golpe na testa do capitão da Polícia Militar Augusto Sampaio de Oliveira Neto, que foi afastado dos patrulhamentos de rua e ficará exercendo funções administrativas enquanto o inquérito instaurado para apurar a conduta do oficial não é concluído. O período para conclusão de averiguação é de 30 dias. 

Veja cenas do estudante sendo agredido pelo policial: 


 

Em nota, a Universidade Federal de Goiás (UFG) repudiou a violência contra o estudante de Ciências Sociais e cobrou das autoridades goianas a adequada apuração dos fatos e punição aos responsáveis.

Movimentos sociais e amigos de Mateus promoveram vigílias em frente ao hospital durante a semana passada, cobrando justiça dos órgãos públicos e prestando solidariedade à família. Na foto abaixo, estudantes da UFG saem às ruas de Goiânia reivindicando celeridade nas investigações. 





Do Portal Vermelho, com agências