sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Contra profetas de aluguel, PT cresce e irá ajudar Lula-Haddad

Uma década e meia depois de ter sido classificado como "organização criminosa" pelo PGR Antonio Carlos Fernando e por  Joaquim Barbosa, as principais estrelas da AP 470, o Mensalão, o Partido dos Trabalhadores entra na reta final da campanha presidencial de 2018 na condição de principal partido politico brasileiro e uma das alavancas da campanha de Lula-Haddad.
 Comparado com as três dezenas de legendas oficialmente registradas no país, o PT confirma a condição de um partido único no sistema político brasileiro. Possui um índice de aprovação superior à soma das preferências conseguidas por adversários,  e aliados -- em conjunto. Sua aprovação é sete vezes maior que a do PMDB e do PSDB, que têm 4%. E é  doze vezes maior do que aquele pequeno núcleo de legendas que consegue colocar a cabeça fora dágua para ficar com 1% (um por cento).
 Comparando com sua própria história: num fase da existência em que a maioria dos partidos -- em especial brasileiros -- entrou em decadência e até sumiu de vista, o PT encontra-se num grande momento após quinze anos de massacre contínuo e planejado por parte de adversários instalados em postos estratégicos no aparelho de Estado e mesmo fora do país. Sua aprovação de 29% do eleitorado, registrada pelo DataFolha, é superior às marcas de 2002, quando Lula chegou ao Planalto. Na época, os índices do partido variavam entre 25% e 26%. Em 2010, quando Lula comandou a primeira eleição de Dilma, o partido chegou a ter uma aprovação de 30%. Com Dilma na fase inicial, chegou a 31%.
É preciso retornar aos primeiros anos para encontrar uma aprovação tão alta -- 33% -- numa parcela essencial da sociedade: a juventude, camada que, em qualquer parte do mundo,  é apontada como uma irredutível força de resistência contra todo e qualquer partido político.  Vê-se que, no Brasil, a moda não pegou -- ao menos até aqui.  
 É bom não se enganar. Num país onde a política se faz em torno de personalidades mais ou menos carismáticas, mais ou menos competentes, o PT não escapa ao mesmo destino.
Lula é o personagem central de uma história que já incluiu quatro vitórias consecutivas em sucessões presidenciais -- algo raro em qualquer lugar do mundo.  Alvo número 1 da Lava Jato, já completou o quarto mes de prisão. Sem autorização para sair da cela, lidera a campanha presidencial com folga. Mesmo na adversidade infame da semi-ditadura instituída no país após o golpe que derrubou Dilma, o sucessor designado Fernando Haddad já desponta como um concorrente com lugar certo no segundo turno.
Caso a mudança de candidatos se confirme, a relação com o partido terá outra natureza,  porém. Não há hipótese de vitoria presidencial possível, para Haddad, sem uma mobilização a fundo do PT a seu favor. Lula seguirá com um papel essencial na campanha, em qualquer caso. Mas o papel específico do PT, como elo de ligação entre ambos,  ganha nova importância, como âncora.
Os militantes do PT é que vão explicar as diferenças e semelhanças entre Lula e Haddad, e argumentar porque se trata de um sucessor a altura. Também terão um papel essencial, para explicar a legitimidade do novo candidato, o caráter inevitável da substituição -- uma novidade particularmente intrigante numa populaçáo que mal consegue distinguir outro rosto no mundo político.
A campanha na TV faz até milagres, sabemos todos. Mas a voz militante, o bate papo no ponto de ônibus e a conversa no boteco seguem uma atividade fundamental num país sob impacto gigantesco do pensamento único da mídia -- uma correnteza que pode se movimentar para todos os lados, para nunca perdeu o foco anti-Lula e anti-PT.     
A aprovação mostra que o desafio é grande mas o partido pode se mostrar à altura da tarefa. A história, em primeiro lugar, trabalha a seu favor. Apesar de erros e desvios que, apenas em seu caso, foram transformados em escândalo, o apoio de 29% contém uma lição  fundamental. Para uma imensa parcela de brasileiros, a contabilidade geral é boa para o PT, ao contrário do que ocorre com as legendas adversárias, cuja platéia pode ser descrita como uma legião de decepcionados, o que ajuda a entender a a ascenção de Jair Bolsonaro, à margem de partidos tradicionais. Em três décadas, a aprovação do PSDB, que ocupou a presidência duas vezes, tem oscilado entre 7% e 3%. O DEM, sucessor do partido do senador de Santa Catarina Jorge Bornhausen que anunciou o fim "desta raça"por 30 anos não passa de 0% desde 2014.
De 2010 para cá, o PMDB fica 7%.
Até em nome do respeito pela consciência e capacidade de discernimento dos brasileiros, cabe reconhecer que a causa da vantagem do PT é política.
Num dos países mais desiguais do planeta, o PT teve o acerto de reconhecer combate à miseria e à desigualdade a questão fundamental do partido, num empenho que, nos primordios do Bolsa-Família, gerouo conflitos com aliados intelectualizados que condenavam a medida como "populismo" e "assistencialismo".  A defesa dos salários e da criação de empregos sempre esteve na agenda, o que é compreensível pela origem. A  defesa vigorosa da soberania nacional e dos programas de desenvolvimento é fruto do aprendizado e amadurecimento, num país no qual a integração ao imperialismo incluiu não apenas parcelas inteiras do empresariado, mas da intelectualidade e até quadros com história em partidos de esquerda.
 Nesta situação, quando os brasileiros encontraram na eleição presidencial de 2018 o caminho para resistir à guerra sem limites contra direitos e conquistas, o PT era o partido que estava lá.
Alguma dúvida?
Fonte: www.brasil247.com


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