segunda-feira, 24 de julho de 2017

"Golpe mostrou como atua a mídia", diz dirigente jornalista de MG


Alessandra Mello (foto).                                                                  
Alessandra Mello (foto).                                                                  


Brasil de Fato - Enquanto repórter, como você vem avaliando a cobertura política dos grandes jornais, especialmente os de Minas Gerais?

Alessandra Mello – Eu tenho 20 anos de carreira e acompanho a cobertura com muita preocupação. É uma cobertura de uma voz só, um lado só. Nós, jornalistas, temos que ser plurais em tudo, principalmente na política e em especial nesse momento que a gente vive, período de um golpe que retirou tantos direitos. Era a hora de discutirmos isso de forma mais clara. A cobertura é partidarizada, o que é um problema para o jornalismo em todas as áreas. E na política é ainda mais preocupante, porque a relação com os poderosos diz muito sobre como a notícia é produzida, editada e vista.

E dá pra sentir isso na prática de redação? Há uma orientação para essa cobertura ser direcionada?

Sim, há, mas não é clara. Muitas vezes, a orientação não chega diretamente para o repórter, que é o operário, o peão da notícia. Mas chega por meio de orientações como não dar destaque, escrever um título que não é tão bom, jogar o fato para o final da matéria… Essas são algumas das técnicas. Não é que você deixa de dar a notícia, mas escolhe uma nuance mais leve ou mais pesada, dependendo do seu interesse. Por isso, acho muito importante que o leitor tenha um olhar crítico para tudo que vem da mídia.

E você acha que existe também uma autocensura por parte dos jornalistas?

Houve sempre e ainda há. Principalmente com as pessoas que já estão há muitos anos em um só veículo, que sabem como ele funciona, quem pode aparecer e as pautas que são interessantes ou não. Acho que sofremos uma grande autocensura durante os governos do PSDB em Minas Gerais. O jornalista, já sabendo do tamanho da blindagem em cima do Aécio Neves (PSDB) – que está sendo revelada paulatinamente –, ficava desanimado de propor uma pauta sabendo que ela não ia vingar. É fazer toda uma apuração e saber que lá na frente seria dado um tratamento pífio a uma notícia importante.

Agora, fica cada vez mais claro que a mídia teve um papel atuante na situação política brasileira e no próprio golpe. Enquanto presidenta do sindicato, como você avalia essa situação?

Uma coisa muito reveladora nesse golpe foi a percepção da população sobre como os meios de comunicação funcionam. Todos os grandes conglomerados de mídia eram contra o governo de Dilma Rousseff, todas as ações dela eram tratadas de forma negativa. Quando o Temer tomou o poder, tudo passou a ser visto como positivo, até a economia do país. As pessoas estão percebendo e, aqui em Minas, elas também estão notando o tratamento que a mídia dá ao Aécio. Essa clareza é importante porque a pauta da democratização da comunicação no Brasil está no mesmo patamar que a da reforma econômica. Enquanto não tiver desconcentração, uma mídia mais democrática, a gente não vai ter democracia. É lamentável que a nossa democracia esteja à mercê de um veículo de comunicação.

Você acha que essa percepção cresceu também entre os jornalistas?

Cresceu pra todo mundo. O golpe mostrou como funcionam as relações de poder dentro da mídia, os interesses do patronato, dos grandes empresários, que tomaram de assalto o poder para instituir uma agenda só deles. O golpe apresentou a parcialidade do Judiciário. Devemos pegar esse gancho e trabalhar nele.

Já é possível saber como a Reforma Trabalhista vai impactar os jornalistas?

Ela é devastadora. Uma reforma que veio de cima pra baixo. No nosso caso, existem coisas graves que já aconteciam na profissão, como a pejotização e o trabalho intermitente. São inúmeros os trabalhadores de empresas de comunicação que não têm carteira assinada e que estão à disposição da empresa 24h por dia, mas só recebem por produção. Antes da reforma, isso era ilegalidade. As pessoas se submetiam a ela porque precisavam de emprego e com a esperança de serem contratadas. Caso não fossem, podiam resgatar seus direitos na Justiça. Hoje, isso tudo está regularizado, assim como a redução salarial, que já era uma realidade nas empresas e que agora é resguardada pela legislação.

Você acha que existe uma crise no modelo de informação desses grandes jornais? Nesse contexto, qual o papel dos veículos alternativos?

Existe. A crise no modelo de comunicação, do fazer jornalístico, é anterior à crise da economia brasileira. Grandes empresas não pagam o FGTS desde 2009, quando a economia não estava esse caos. Os grandes jornais já vinham sofrendo com a perda do monopólio. Quando eu comecei como repórter, em 1995, a notícia reverberava e hoje não é assim. Aliás, o que não sai revela muito mais sobre os meios de comunicação do que o que é publicado. Há uma crise provocada pela nova maneira de fazer jornalismo, porque hoje, de uma forma ou de outra, todo mundo é um pouco comunicador. E o povo disputa o espaço com os meios de comunicação, que ainda não conseguiram perceber que precisam ser menos concentrados, ser plurais. Hoje também tem o que chamamos de notícia “caça clique”, que é capaz de gerar milhões de visualizações na sua página, mas que não te dá credibilidade, respeito. A comunicação é muito mais do que isso, ela é o pilar de democracia.

E no meio disso tudo ainda há lugar para o impresso?

Não sei, tenho dúvidas sobre o futuro do impresso. O ‘jornalão’, nesse modelo que conhecemos, de notícias velhas que já vimos em redes sociais, está fadado ao fracasso. Se não mudar, vai morrer. Mas, por outro lado, vemos outros instrumentos como revistas, jornais alternativos impressos surgindo. É muito legal essa questão da mídia alternativa, das pessoas fazendo sua própria comunicação e levando as informações da maneira que acreditam, tratando de questões locais. Isso é o futuro. A mídia alternativa cresce cada vez mais, e, infelizmente, ainda é muito pautada pelos grandes jornais, muitas vezes por falta de gente para trabalhar. Falta de braço para fazer concorrência ou para produzir uma grande reportagem. Mas ela está caminhando, está na infância, tem um trajeto longo a percorrer e, ao meu ver, vai se firmar.

Com essa crise dos grandes jornais e a mídia alternativa ainda não conseguindo ser um caminho profissional para a maioria, qual é a saída para os jornalistas?

Esse assunto é muito complexo. Aqui, no sindicato, vemos de perto a angústia dos trabalhadores. Você ama escrever, sabe que pode abrir um blog, criar um site, mas que não vai conseguir sobreviver. Eu tenho medo que, a partir disso, o jornalismo vire uma ‘profissão acessória’, o que na verdade já está começando a acontecer. Temos jornalistas vendedores de pão, jornalistas vendedores de roupa… É essa coisa de ter que ter outra profissão pra complementar a renda. O que eu penso que vai piorar cada vez mais com as novas relações de trabalho. E, realmente, o jornalismo é apaixonante. Quem entra tem dificuldade de sair.

Apesar de muitas mulheres já terem sido presidentas do sindicato e da categoria dos jornalistas ser majoritariamente feminina, você ainda vê machismo na área?

Demais. O sindicalismo ainda é muito machista. Os espaços são majoritariamente masculinos, e as mulheres têm dificuldade para conseguir falar. Nas reuniões, sempre são feitos comentários sobre a sua aparência física, esmalte, batom. E você não vê um homem falando para o outro: ‘ah, que gravata linda’, ‘que cabelo lindo’. O mundo do trabalho é muito dividido hoje, mas a gente não está representada nesse espaço sindical. Além do machismo, a mulher tem sempre uma jornada a mais do que o homem. Eu, por exemplo, trabalho 7h por dia e sou mãe, tenho minhas tarefas de dona de casa. Por isso existe a dificuldade de permanecer nessa luta. O jornalismo deve ser formado por, mais ou menos, 85% de mulheres, mas elas não estão no comando das redações. Nós avançamos e não podemos negar, no entanto, é uma longa construção até essa garantia dos espaços de poder.

E quais são os desafios para o sindicato nesse momento da conjuntura?

É um dos períodos mais difíceis para todos os sindicatos. O sindicato sempre foi importantíssimo para defender o trabalhador, se contrapor aos patrões, conscientizar a categoria, mas agora ele é essencial para a vida de todo mundo. O trabalhador vai precisar caminhar junto com o sindicato para formar uma trincheira de luta. Há uma tentativa de desmonte, de enfraquecimento das mobilizações de todas as categorias de trabalhador. Sindicalizar é importante porque temos cada vez mais demandas jurídicas, e advogado, contador, custa dinheiro. Para além da questão prática, devemos nos juntar pra luta. Eu sou otimista. Como disse Fidel Castro, quem quer ser revolucionário não pode ser pessimista. Ou seja, quem não se conforma, não pode pensar no pior. Juntos, somos muito fortes e vamos vencer. 



Brasil de Fato

Santayana: O cerco aos bancos públicos e o futuro do Brasil



 
 





















O que vem sendo apresentado, com a cumplicidade de uma mídia imediatista, irresponsável e descomprometida com os objetivos nacionais, não passa de uma sucessão de “negócios” apressados e empíricos que têm como único norte o acelerado desmonte, esquartejamento e inviabilização em poucos anos, do Estado, com deletérias, estratégicas, e talvez irreversíveis consequências para o futuro.

Estamos entregando o país aos negócios privados, principalmente estrangeiros, em transações gigantescas, feitas a toque de caixa, que envolvem bilhões de dólares. Na maioria das vezes, à revelia da sociedade brasileira, a ponto de muitas estarem sendo realizadas até mesmo sem licitação, como está ocorrendo com a “venda” e desnacionalização de poços do pré-sal e de outros ativos.

Tudo isso com uma fúria privatista que só encontra paralelo nos nefastos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, que tiveram como principais consequências econômicas a duplicação da dívida líquida pública e a queda do crédito, do PIB, da renda assalariada e do trabalho formal ao fim de seus oito anos de governo.

Se o recuo estratégico é grave em setores primordiais, como energia, infraestrutura e defesa, ele atinge também, drasticamente, os bancos públicos. 

Assim como não existem grandes países sem grandes empresas nacionais, também não existem grandes nações que possam prescindir de um forte sistema financeiro público para que se desenvolvam estratégica e soberanamente. 

Não se trata apenas, como ocorria no passado, do direito de cunhar moeda, mas de ter instrumentos que possam garantir que a roda da economia continue girando.

Nos últimos anos, o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram cruciais para manter o país crescendo, investindo na “bancarização” da população e na expansão do crédito. 

O volume de crédito em circulação, que caiu de 36% para 23,8% do PIB nos governos de FHC, mais do que duplicou nos governos do PT, até atingir 54,2% em dezembro de 2015. 

Sem o financiamento à indústria e à agricultura teria sido impossível, para o país, enfrentar a longa sucessão de graves crises que vêm atingindo o mundo ocidental e o capitalismo desde 2008, quando a banca privada se retraiu, deixando de emprestar dinheiro e passou a investir, como sempre fez historicamente, basicamente em títulos do governo.

Com isso, embora o lucro dos bancos tenha aumentado mais de 400% na era Lula com relação ao governo anterior, as instituições públicas se expandiram mais do que as particulares, aumentando a variedade e quantidade dos serviços prestados a seus clientes, sua oferta de crédito, seus lucros e sua presença na economia nacional.

E como o atual governo responde a esse imprescindível papel estratégico? 

Pega carona e incentiva a campanha, com forte componente ideológico, que se está desenvolvendo na mídia e nas redes sociais, contra o BNDES. 

Promove a estúpida, suicida e inexplicável eliminação de R$ 100 bilhões dos ativos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que estão sendo repassados ao Tesouro, para suposto “abatimento” cosmético e irrelevante da dívida pública, em um momento em que o país é apenas a 40ª nação do mundo em endividamento, e se encontra mergulhado em grave recessão.

Reforça essa política de terra arrasada com a interrupção e eliminação, pela atual diretoria do BNDES, de projetos de exportação de serviços de engenharia de empresas já atingidas em bilhões de dólares, pelo tsunami punitivo da Operação Lava Jato. 

Com isso, morrem no nascedouro milhares de empregos que poderiam surgir por meio de alguns dos maiores expoentes da engenharia nacional e de centenas de médias e pequenas empresas de sua cadeia de fornecedores.

O governo estende os nefastos efeitos dessa abordagem destrutiva do Banco do Brasil e da Caixa – apelando para a velha desculpa da busca de “eficiência” – promovendo seu desmanche e “enxugamento”, com o já anunciado fechamento de centenas de agências e a demissão “incentivada” de milhares de funcionários, em um momento em que dezenas de municípios, para o enfrentamento da crise, não poderiam prescindir da presença e do apoio dessas instituições.

Quais são as razões que se escondem por trás disso? Por que e para que torcer o pescoço das galinhas dos ovos de ouro da economia nacional que, além de manter o país funcionando, deram altíssimos retornos para seus acionistas e para a União e estão ligadas a conquistas de enorme importância social, como a construção de 3,5 milhões de casas populares nos últimos anos?

De 2010, para cá, o BNDES, além de emprestar centenas de bilhões de reais para grandes, médias e pequenas empresas, teve mais de R$ 40 bilhões de lucro. O Banco do Brasil alcançou, em 2011, um lucro líquido de mais de R$ 12 bilhões e chegou a mais de R$ 14 bilhões em 2015. Os seus ativos, que eram de quase R$ 1 trilhão em 2011, chegam a quase R$ 1,5 trilhão este ano. A Caixa Econômica Federal lucrou quase R$ 4 bilhões em 2011 e expandiu seus resultados para 7,2 bilhões em 2015.

De que tipo de “reestruturação” esses bancos precisam? De mandar gente embora para fazer com que os que vão ficar trabalhem o triplo – cada funcionário de agência do Banco do Brasil já é responsável, em média, pelo atendimento a quase 450 contas da instituição – e comecem a cometer falhas, e fazer os clientes pensarem em migrar para os bancos privados?

Não se pode compreender esse cerco à banca pública a não ser como um desejo subjacente de abrir mercado para a banca privada, embora esta não tenha deixado de multiplicar também seus ganhos. 

Deve assustar, sobretudo, a possibilidade que os bancos públicos têm, a qualquer momento, de regular indiretamente o mercado, sempre que necessário, baixando as suas taxas de juros e as tarifas que cobram da população.

Mas essa deliberada e injustificável estratégia de sabotagem e sufocamento dos bancos públicos pode ter, também, outras intenções. 

Como sempre ocorre, ela abre caminho para que se possa dizer que eles estão operando mal ou perdendo dinheiro, e que devem ser privatizados a médio prazo, eliminando-os totalmente, da economia nacional.

Assim como ocorre no caso da Petrobras, a sociedade brasileira precisa responder ao desmanche e à campanha contra a banca pública decisivamente. 

Os bancários e os municípios prejudicados devem entrar na Justiça contra o fechamento de agências, levando ao Judiciário e ao Ministério Público informações relativas à verdadeira situação financeira dos bancos estatais e sua importância econômica e social no contexto do processo de desenvolvimento brasileiro.

É preciso que aqueles que dizem que é necessário aumentar a “eficiência”, expliquem onde está a ineficiência de instituições que praticamente salvaram o país durante a crise de 2008, que contribuíram para a expansão do crédito, da produção e da infraestrutura e que, na última década, deram dezenas de bilhões de reais em lucro. 

Enquanto o sistema financeiro privado internacional, por ineficiência, desonestidade e fiscalização, levava a economia global ao colapso.

*Mauro Santayana é jornalista 


 Fonte: Carta Maior

Aumento de impostos escancara contradição de Henrique Meirelles



Foto: José Cruz / Agência Brasil
 
 





















Queridinho do mercado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, usou o programa “A voz do Brasil”, em 31 de outubro do ano passado, para tranquilizar a todos e garantir que não haveria aumento de impostos, graças a mais uma solução mágica que havia sido elaborada na gestão Temer: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos para os próximos 20 anos.

“Só seria necessário (aumentar impostos) se as despesas continuassem a crescer descontroladamente. No momento em que o governo corta na carne, elimina a necessidade de aumentar impostos”, disse o ministro à época.

O contexto era basicamente o seguinte: a PEC havia sido aprovada em primeira e segunda discussão na Câmara, faltando ser ratificada pelo Senado. O texto, porém, estava longe de ser uma unanimidade, era fortemente atacado pela oposição, que alegava que a mudança poderia causar reflexos nos gastos em áreas primordiais, como saúde e educação, além de programas sociais.

No meio do rolo compressor do governo, nada melhor então do que contar uma pequena mentira como a que não haveria aumento de impostos para tentar tranquilizar empresários e trabalhadores de que aquela seria mais uma solução eficiente do governo. Em 15 de dezembro de 2016, a proposta foi promulgada no Senado, sendo a primeira grande “vitória”de Temer. Este ano, mesmo em meio à crise política provocada pela delação do dono da JBS, Joesley Batista, foi a vez da aprovação da impopular reforma trabalhista. 

Nesta quinta, o ministro que tinha dito há oito meses que os impostos não aumentariam usou uma nota para confirmar o que já vinha se comentando nos últimos dias nos bastidores do Planalto: o governo vai sim ter que tirar mais dinheiro do contribuinte para poder fechar suas contas. No caso da gasolina, o PIS/Cofins quase dobrará, passando de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro. Haverá também aumento no diesel e no etanol. A Petrobras calcula que o impacto para o consumidor seja de 7%.

Para tentar amenizar as críticas, a equipe econômica também anunciou também cortes na própria carne:

“Do lado das despesas, serão contingenciados, adicionalmente, R$ 5,9 bilhões dos gastos previstos no Orçamento de 2017. Esse valor deverá ser compensado por receitas extraordinárias que ocorrerão ainda este ano”, informou a nota divulgada pelo Planalto.

Apesar de ser o queridinho do mercado, Meirelles já vê reações negativas do aumento do PIS/Cofins entre o empresariado. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) colocou novamente o pato na rua para protestar contra a medida. O presidente da entidade, Paulo Skaf, disse nesta sexta (21) que “temos que ser radicais” e “nenhum governo pode aumentar impostos”.

Ao mesmo tempo em que anuncia uma medida tão impopular, Temer convive também com outra contradição, já que precisa agradar aos parlamentares que vão decidir, no início de agosto, se ele continua ou não na presidência. Se for aceito o prosseguimento da denúncia da PGR por corrupção passiva, ele terá que se afastar do cargo por 180 dias.

O pacote de bondades do governo chega a R$ 15 bilhões nas últimas semanas, de acordo com levantamento feito pelo jornal “O Globo”. Nesta leva, somente em junho, foram liberados mais de R$ 500 milhões em restos a pagar de anos anteriores de emendas parlamentares. Até o ex-deputado preso Eduardo Cunha entrou nesta leva, com mais de R$ 1,6 milhão liberados.

O mais curioso nisso tudo é que nas cerimônias que vêm sendo realizadas no Planalto por Temer para divulgar suas bondades, o ministro Henrique Meirelles está quase sempre ao seu lado, tentando reforçar a imagem de que tudo está bem.

“Entramos numa recessão profunda, por questões estruturais. Já saímos dessa recessão, continuamos a crescer e vamos construir um país com taxas de crescimento sustentáveis mais elevadas”, disse Meirelles durante cerimônia de sanção do texto da reforma trabalhista na semana passada.

A questão que fica é: e aí, dá para acreditar? 


 Fonte: The Intercept

Bresser: Tenho vergonha por elites sustentarem governo desmoralizado



Foto: JB
 
 





















“Não por Temer e seus amigos, que deveriam estar na cadeia; não pelo Brasil e seu povo, que é a vítima de tudo isso – da ganância e da corrupção dos ricos e seus fâmulos. Tenho vergonha pelas elites econômicas e burocráticas que continuam a sustentar no poder um governo desmoralizado, que atende a todos os seus interesses imediatos”, completa. 

Para o economista, as elites apoiam o governo de Michel Temer porque o peemedebista “realiza as ‘reformas’ que salvarão o Brasil – na verdade, que colocam todo o peso do ajuste econômico de que necessita a economia brasileira em cima dos trabalhadores e dos pobres”. “E poupam a si próprias, continuando a cobrar juros de usura do Estado brasileiro. Sempre com o apoio de economistas liberais, com a justificativa que os juros extorsivos ‘são necessários para combater a inflação’.”

O país precisa de ajuste, sim, pondera o economista, mas não só fiscal e nem apenas por conta dos trabalhadores. Deveria ser, também, monetário e cambial. “Deve reduzir a taxa de juros básica e os spreads bancários, e, através de um câmbio competitivo, deve reduzir o consumo não apenas dos trabalhadores (como hoje faz), mas também dos financistas e rentistas.”

“Só dessa maneira, colocando os juros e o câmbio no lugar certo, mesmo que isto reduza um pouco os rendimentos de todos – trabalhadores e rentistas – e a riqueza dos rentistas, as empresas industriais brasileiras poderão voltar a ser competitivas, e o Brasil poderá voltar a crescer”, sugere Bresser-Pereira. “Muitos líderes dos trabalhadores sabem disto, e por isso defendem um acordo com os empresários industriais.” 

“Mas estes estão enfraquecidos e não têm confiança nas lideranças sindicais. Permanecem, assim subordinados aos rentistas e aos financistas. Que, associados aos interesses estrangeiros, não têm pena do Brasil, nem vergonha de si mesmos. Eles são donos da ‘verdade’ – de uma ‘racionalidade econômica’ que serve a seus interesses – e continuam a se enriquecer, e, na medida em que o ajuste que promovem nunca é completo, continuam a vender os ativos brasileiros ao exterior”, conclui o economista.




Fonte: Jornal do Brasil

Juristas renomados realizam Tribunal Popular para julgar a Lava Jato


 
 


 “Todas as questões relativas ao apartamento triplex foram objeto de longa análise da sentença. Mais de uma vez consignou-se que, na apreciação de crimes de corrupção e lavagem, o Juízo não pode se prender unicamente à titularidade formal. Assim não fosse, caberia, ilustrativamente, ter absolvido Eduardo Cosentino da Cunha na ação penal 5051606-23.2016.4.04.7000, pois ele também afirmava como álibi que não era o titular das contas no exterior que haviam recebido depósitos de vantagem indevida, mas somente ‘usufrutuário em vida.”

Assim o juiz Sérgio Moro rechaçou os embargos de declaração da defesa de Lula no dia 18 de julho, após os advogados afirmarem que haviam omissões na condenação de nove anos e seis meses dada no dia 12.

A sentença gerou revolta em alguns círculos jurídicos.

Um grupo de juristas renomados realizará um Tribunal Popular sobre a Lava Jato em Curitiba no dia 11 de agosto, uma sexta-feira. Beatriz Vargas Ramos, Marcello Lavenère, Antônio Maues, Juliana Teixeira, Gerson Silva, José Carlos Portella Júnior, Michelle Cabrera, Claudia Maria Barbos e Vera Karam Chueiri estão no corpo de jurados.

O juiz de direito em Alagoas Marcelo Tadeu Lemos será o presidente da sessão, enquanto o ex-ministro da Justiça e procurador Eugênio Aragão será responsável pela acusação contra a operação neste evento.

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, ficará com a defesa crítica e irônica da Lava Jato. Ele atendeu já Demóstenes Torres, José Sarney, José Dirceu e Aécio Neves.

O DCM entrou em contato com a organização do evento, o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), para saber detalhes de como vai funcionar.

O evento deveria ter ocorrido numa data anterior. No dia 2 maio, antes do depoimento de Lula diante de Sérgio Moro, uma aula sobre questões jurídicas da Lava Jato foi realizada no Sindicato dos Jornalistas (SINDIJOR).

Em 9 de maio, ocorreu outra reunião pública na Praça Tiradentes de Curitiba. Depois da mobilização, os encontros ocorreram em 13 de junho no Moradias 23 de Agosto, associação que fica na periferia da capital do Paraná.

Se o Tribunal Popular for bem-sucedido, a ideia dos organizadores é levá-lo ao STF em Brasília, seguindo o mesmo modelo de trabalho voluntário com investimento dos próprios advogados.

Segundo os organizadores, considerando o trabalho de Marcello Lavenère com Kakay no Tribunal Popular que julgou o massacre de Carajás dentro do Senado, a ideia dos magistrados é julgar a Operação Lava Jato — sem “fulanizar” para aumentar a compreensão e o alcance sobre o que realmente se passou.

Questionamos se o grupo teme ser associado com o PT ou com simpatizantes de Lula. “A associação indevida já acontece, queiramos ou não. Na página do Tribunal Popular no Facebook já existem insinuações, mas não há o que temer. Associações do Eugênio Aragão que foi ministério da Justiça de Dilma, assim como de outros membros do coletivo, é a primeira apelação que os veículos golpistas costumam fazer. O CAAD abriga juristas progressistas. Se alguma associação direta tivesse que ser feita, deveria ser consideradas as as centrais sindicais e os movimentos sociais populares de mulheres e feministas, negros, LGBTs e outras legendas, como PCdoB, o PDT, o PCO e PSOL”, responde a advogada Tânia Mandarino, uma das organizadoras diretas do evento.

O local ainda será definido nos próximos dias e será divulgado na fanpage do evento no Facebook. A previsão de início será às 14 horas do dia 11 de agosto para acabar às 22 horas em Curitiba.

Kakay falou ao DCM sobre o julgamento de Lula. “Eu concordo em linhas gerais com a defesa do ex-presidente. A acusação é que tem que fazer a prova, que não foi feita. Durante as audiências de instrução que pude acompanhar na imprensa e nos vídeos, o juiz Sérgio Moro se comportou mais como um juiz da Inquisição do que como deveria ser. As perguntas feitas de maneira agressiva e completamente fora do contexto seriam indeferidas se partissem de um dos advogados”, diz.

“Deveríamos, há muito tempo, saber que o juiz que faz a instrução [que ouve as partes] não deve ser o que vai julgar a causa. O doutor Sérgio Moro fez durante todo o primeiro procedimento uma série de medidas que já inviabilizaria a condução técnica e imparcial do processo. O que ocorre no julgamento dentro da 13ª Vara de Curitiba é um acordo entre a acusação, o juiz, o Ministério Público e a Polícia Federal. Sérgio Moro não tem a imparcialidade para julgar o ex-presidente Lula num processo deste porte”.

O ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, resume os principais problemas da Lava Jato: “Moro é um ‘Rechtsbeuger’, uma burocrata que distorce conscientemente a norma jurídica em detrimento dos direitos de investigados e acusados. O que ele produz deixou há muito tempo de merecer o nome de ‘Direito’ para ingressar na seara da política rasteira, persecutória de inimigos ideológicos. O discurso barato e simplório esconde o estrago que sua cruzada moralista tem causado às instituições e à democracia. É da natureza do fascismo servir-se de falsos truísmos para mobilizar massas no reforço de interesses latentes”.

Aragão colocará que a operação chefiada por Sérgio Moro quis impulsionar o Ministério Público e do Judiciário dentro de um projeto político corporativo.

“Defender a democracia no Brasil passa necessariamente pelo enquadramento da operação dentro dos limites do regramento do Estado Democrático de Direito”, finaliza o ex-ministro. 


Fonte: Portal Vermelho

Dilma: O Brasil precisa de um pacto por baixo, alguém eleito pelo povo



Roberto Stuckert Filho
 
 





















A presidenta afirmou que “deram o golpe porque perceberam que por quatro eleições perderam”, e como o projeto de governo da direita foi derrotado, “decidiram dar o golpe porque não poderiam aplicar o modelo deles via eleições”.

“Esse golpe está em andamento. A primeira etapa foi o impeachment. E a segunda etapa é a eleição indireta”, destacou ela, apontando que o objetivo é impor uma agenda das reformas. 

Dilma disse ainda que a crise política do país só tem uma saída: eleições diretas. “No Brasil, sem eleição direta, não se pode construir legitimidade para fazer as reformas reais – não essas que estão aí, que é para tirar direito do povo”, declarou.

Para ela, “a democracia é a coisa mais importante que nós temos”, inclusive para a economia. “Sempre que o Brasil teve democracia, ele cresceu. Sempre que a democracia foi reduzida, o Brasil perdeu. Nós precisamos de processo de eleições diretas sem casuísmo, sem tirar ninguém do pleito. O Brasil precisa se reencontrar, precisa de um pacto por baixo, alguém eleito pelo povo”, disse a presidenta.


 

Reformas 

Dilma voltou a criticar as medidas do governo Temer, principalmente os cortes nas áreas sociais. “Estão acabando com o Bolsa Família, reduziram em 800 milhões, reduziram o número de famílias em 1 milhão e 200 mil. Em momento de crise, em que tinha que aumentar os benefícios, reduziu o número de famílias. A mágica que fizeram foi a da exclusão”, afirmou a presidenta.

“O país que tiramos do mapa da fome hoje vemos ser desmontado”, acrescentou Dilma, apontando ainda que a reforma trabalhista tira, pela primeira vez em 70 anos, a proteção do lado mais fraco, que são os trabalhadores.

“O que é a regulação do mercado de trabalho? É equilibrar essa relação. Não é pender para um lado, mas garantir que o lado mais fraco tenha a necessária proteção”, frisou.

“É impossível considerar em qualquer lugar do mundo que uma mulher grávida ou lactante trabalhe em local insalubre. Todo mundo protege o seu futuro”, disse ela, se referindo a um dos itens aprovados pela reforma. “O que eles colocaram nessa legislação mostra o extremo do absurdo”, completou.

Dilma ainda questionou quais são os indicadores que demonstrem que tais medidas vão levar ao aumento do emprego, melhoria da atividade econômica, ampliação da demanda. “As evidências mostram o contrário. Estudos do Banco Mundial, Banco Central Europeu e do FMI mostram que não há correlação, não há relação positiva entre reforma trabalhista, desregulamentação do mercado de trabalho e aumento da produção e do emprego”, afirmou. 

“Eles não só destruíram as nossas políticas sociais, como destruirão todas as políticas sociais acumuladas pelo Brasil desde 1943”, salientou.

Lula

Dilma também manifestou apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou a condenação proferida pelo juiz Sérgio Moro que, segundo ela, foi pautado não em provas, mas em convicções.

Para Dilma, o julgamento de arbitrariedades “cria uma situação perigosa”, porque rompe com o princípio básico da democracia, de que todos são iguais perante a lei. “Quando você cria um único que não é igual, você entra no perigoso terreno do fascismo”, afirmou.

Ela afirmou que o objetivo é impedir que Lula dispute as eleições por meio de uma perseguição jurídica. “Lula não sofreu só com abuso de autoridade, mas acho que está em curso em relação ao Lula é o lawfare. É um paralelo com a guerra. A guerra quer destruir o inimigo fisicamente, mas no mundo democrático ocorre o uso da lei como arma para destruir do ponto de vista civil uma pessoa. Julga, condena, pune e tira as condições morais e éticas dela se construir e se colocar politicamente. Ela tem como decorrente a justiça do inimigo. Você não quer julgar, quer destruir”, destacou.




Do Portal Vermelho

domingo, 23 de julho de 2017

SBPC: Desmonte nas ciências e defesa de Diretas marca reunião anual


Pietro Sitchin/SBPC
 
 


A Reunião Anual da SBPC tem como objetivo debater políticas públicas e difundir os avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento. Trata-se do maior evento científico do Hemisfério sul.

Esta edição teve como tema Inovação – Diversidade – Transformações e sua programação ocorreu ao longo de toda a semana no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Na programação, 69 conferências, 82 mesas-redondas e 55 minicursos, além de assembleias, reuniões de trabalhos, apresentação de pôsteres científicos e outras atividades.

Ao longo do evento, o físico Ildeu de Castro Moreira assumiu a presidência da SBPC em substituição à bióloga Helena Nader, que estava a frente da entidade desde 2011. Ildeu faz uma avaliação positiva da reunião. "Tivemos uma participação intensa e discussões muito interessantes sobre ciência, educação e cultura. E também assuntos específicos como a nanotecnologia e a saúde. E também muita discussão sobre quais os rumos que o Brasil deve adotar num momento de gravidade na economia e na política."

A SBPC aprovou moções a favor da convocação de eleições diretas e da reposição orçamentária do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A entidade também se posicionou em defesa da revogação da Emenda Constitucional 95, que fixou no ano passado um teto para os gastos públicos no país pelos próximos 20 anos.

Na entrada da UFMG foi fixado um "tesourômetro", equipamento criado pela SBPC que pretende medir as perdas financeiras para ciência desde 2015, considerando os cortes nos orçamentos do MCTIC, das universidades federais e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo os idealizadores da medida, a pesquisa brasileira vem tendo uma perda média de R$ 500 mil por hora em recursos federais com a crise financeira. Desde o início do ano, o governo federal contingenciou recursos de várias áreas por causa do ajuste fiscal.

De acordo com Ildeu Moreira, os efeitos devem ser mais sentidos a longo prazo. "Nós estamos tendo evasão de cérebros do país. O risco é termos projetos descontinuados e de pesquisadores irem para o exterior e não retornarem mais. Alguns já foram", afirma. No entanto, ele diz que sai da reunião com otimismo. "Toda esta movimentação dos cientistas nos dá esperança. Agora vamos dar continuidade às nossas ações no Congresso e ampliar as mobilizações para convencer os deputados a reverem algumas medidas. Esse diálogo com o Parlamento é importante, para chegarmos na próxima edição deste evento com um quadro mais favorável". A 70º Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá no ano que vem, será realizada na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió.

Pós-graduação

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naíz, também fez um balanço positivo do evento. Dentro da programação da Reunião Anual da SBPC, foi realizado o 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, debateu o impacto da ciência na sociedade. "Nós defendemos que a ciência que não esteja encastelada apenas nas prateleiras das bibliotecas, mas que seja capaz de intervir na realidade e se traduza em transformações e em bem-estar social. Tanto a reunião da SBPC quanto o nosso salão apontaram nessa direção", disse.

Doutoranda em história econômica da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tamara também manifestou preocupação com o atual cenário. Segundo ela, o Brasil está investindo na ciência menos que países mais pobres. "Isso leva a uma desconstrução do futuro. Na ciência não tem tempo parado. Se cortarmos recursos hoje, mesmo que exista investimento no ano que vem as coisas não se mantêm. Como dizem os chineses, é preciso transformar a crise em oportunidades. É o momento de pensar saídas. E não faz sentido responder a uma crise cortando as nossas possibilidades de futuro", avalia. 



Fonte: Agência Brasil

Cúpula do Mercosul: Movimentos desmascaram Temer e pedem Diretas


CMP/ Cadu Bazilevski
Central de Movimentos Populares realizou protesto nos arredores da reunião do Mercosul
Central de Movimentos Populares realizou protesto nos arredores da reunião do Mercosul



Na última sexta-feira (21/07), os manifestantes se reuniram nos arredores do Hotel Intercontinental. Coordenada pela CMP (Central dos Movimentos Populares), a caravana brasileira, que contou ainda com representantes de forças políticas como a Juventude do PT de São Paulo, Movimento de Luta por Moradia e Levante Popular da Juventude, saiu de São Paulo na terça-feira (18/07), percorrendo mais de 3.000 quilômetros.

Segundo o coordenador da Secretaria Internacional da CMP, Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, o objetivo da caravana brasileira era “mostrar a indignação dos movimentos sociais com as políticas do governo e desmascarar o golpista Michel Temer”, além de participar da Cúpula dos Povos – evento paralelo à Cúpula do Mercosul que reuniu representantes de movimentos populares da América Latina inteira.

Ao final dos trabalhos da Cúpula dos Povos, foi gerado um documento oficial com as deliberações dos participantes, que seria entregue à mesa do Mercosul nesta sexta-feira pelo presidente da Bolívia, Evo Morales. No entanto, o processo de entrada na Argentina pela fronteira com o Brasil demorou mais de 5 horas, impedindo que a caravana brasileira chegasse a tempo do evento na quinta-feira (20/07), atrasando em mais de 12 horas a viagem.

“Era pra ter sido uma participação orgânica do Brasil na Cúpula dos Povos, debatendo os problemas da América Latina e em especial a situação do golpe no Brasil, mas infelizmente acabamos não conseguindo fazer a nossa parte”, disse Gegê.

Coordenadora da Escola Campesina de Agroecologia de Lavalle – local que abrigou os brasileiros durante sua estadia na Argentina -, Dhanna Garcia reforçou que não foi apenas a delegação do Brasil que teve problemas para cruzar a fronteira. “Segundo informações que tivemos, são ordens de cima para dificultar a chegada à Cúpula do Mercosul”, afirmou.

Reação

Ao chegar nos arredores da reunião do Mercosul, a caravana brasileira se deparou com um bloqueio policial de peso. Depois de apenas alguns minutos de permanência no local, já era possível contar mais policiais do que manifestantes. 

“O tom deles foi ficando mais agressivo. No começo da conversa, eles estavam querendo nos ajudar. Depois de alguns minutos, o comandante ficou mais ríspido e disse que não queria mais nos ouvir”, disse o coordenador da CMP.

Apesar dos contratempos, a viagem a Mendoza rendeu resultados para a caravana brasileira. Após algumas horas de espera, os representantes dos movimentos sociais foram recebidos pelo deputado federal argentino Guillermo Carmona, membro da corrente kirchnerista Frente Para La Victoria, e pela deputada do Mercosul, Julia Argentina Perié, os quais se comprometeram a repercutir o golpe no Brasil e a ida dos movimentos sociais do país à Argentina nas próximas reuniões do bloco.

Fonte: Luis Felipe Segura de Mendoza (Argentina) para o Opera Mundi

NOVA CRUZ e seus talentos

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Fonte:Tribuna do Norte

Daladier Pessoa da Cunha Lima nasceu em Nova Cruz/RN, em 23 de janeiro de 1939, filho de Diógenes da Cunha Lima e de Eunice Pessoa da Cunha Lima.  Formou-se em Medicina, em 1965, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Seis meses depois foi convidado pelo então Reitor Onofre Lopes para integrar a primeira equipe de saúde do Centro Rural Universitário de Treinamento a Ação Comunitária - CRUTAC, em Santa Cruz/RN, na qual teve participação efetiva na pioneira experiência de Extensão Universitária que envolveu professores e alunos da área da saúde e serviu de referência para o Governo Federal implantá-la em outros estados. No ano de 1972 fez Especialização em Doenças Infecciosas na Universidade de São Paulo – USP. Autor de vários trabalhos de pesquisa publicados em periódicos especializados e jornais como a Tribuna do Norte, no qual mantém uma coluna quinzenal desde 2004 e do livro Noilde Ramalho: uma história de amor à Educação. Natal. Daladier Pessoa Cunha Lima,  foi o primeiro Reitor eleito, após um longo período de ditadura militar no Brasil (1964 – 1985), exerceu o cargo no período de 1987 a 1991 após ter assumido as funções de Diretor do Centro de Ciências da Saúde, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e Vice-reitor da UFRN. Foi também o responsável pela construção da Escola de Música da UFRN. Atualmente, é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia de Medicina do Rio Grande do Norte e reitor da FARN – Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do RN.

Do Blog Professor e Poeta Antonio Barbosa e outras Fontes


sábado, 22 de julho de 2017

Para economista,volta do pato à Avenida Paulista é hipocrisia da Fiesp



 
 




















O presidente Michel Temer disse que “a população vai compreender, porque este é um governo que não mente, não dá dados falsos”. Segundo ele, a medida tem o objetivo de “manter o critério da responsabilidade fiscal, a manutenção da meta, a determinação para o crescimento”, conforme declarou ao chegar à Argentina na noite de ontem (20).

Para o economista Guilherme Mello, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na verdade não há motivos para a Fiesp reclamar. “O pato é de borracha, mas a cara é de pau. É hipócrita colocar o pato de volta agora apenas porque aumentou o imposto. Quando o desemprego disparou para 14 milhões de pessoas, quando a fome começou a voltar a reinar no Brasil, quando os salários caem, quando o trabalhador perde direitos, não tem pato. Agora, quando sobe imposto, que pode eventualmente afetar um pouco a rentabilidade dos industriais, eles reclamam”, diz. “É sempre o pobre e o trabalhador que pagam o pato.”

Mello lembra que, ao contrário de trabalhadores e da parcela mais pobre da população, os industriais representados pela Fiesp – uma das primeiras entidades de classe a embarcar na defesa do impeachment – têm benesses, incentivos e apoios. “E enquanto isso defendem corte dos programas sociais, no investimento público, na saúde, na Previdência. Eles pediram ajuste fiscal, pediram Joaquim Levy, Henrique Meirelles, a reforma trabalhista. Querem a reforma da Previdência, e disseram que os salários estavam muito altos. A crise brasileira é consequência do receituário que eles pediam, e agora inflam o pato novamente.”

No mesmo sentido, o deputado federal Enio Verri (PT-PR) lembra que as políticas recessivas que foram implementadas são as do interesse do capital financeiro, e que havia acordo entre governo e empresários segundo o qual não haveria aumento de impostos. “Mas a verdade é que aumenta o imposto porque o governo gastou muito mais do que podia. Agora eu quero ver o Paulo Skaf (presidente da Fiesp) explicar isso”, afirma. 

Para Verri, o aumento da carga tributária alimenta ainda mais a recessão. Para o conjunto da economia, com aumento de imposto, o pequeno e médio empresário não conseguem repassar o aumento. Terão de diminuir o lucro e podem até ter prejuízo. Logo, vão ter de demitir.

Na Argentina, Temer disse que o aumento diz respeito, em primeiro lugar, à “responsabilidade fiscal” do governo. “Em segundo lugar, para assegurar o crescimento econômico que pouco a pouco vem vindo. Vocês estão percebendo que, aos poucos, o crescimento vem se revelando”, acrescentou.

Além do aumento tributário, o governo vai contingenciar R$ 5,9 bilhões de despesas não obrigatórias do Orçamento, segundo a Agência Brasil. 



Rede Brasil Atual