sábado, 8 de abril de 2017

Nos EUA, Dilma defende democracia e critica reformas de Temer



Roberto Parizotti/ CUT
 
 





















Dilma Rousseff afirmou que os atores do golpe subestimaram a crise política que eles próprios criaram e agora sofrem as consequências, com um governo altamente impopular e travado pela crise econômica. 

"Estão tentando construir um novo modelo previdenciário no Brasil", afirmou Dilma. "Num país que tem, em média, sete anos de informalidade, desemprego e carteira não assinada, esses 49 anos [de contribuição] aumentam para 56. É um problema seríssimo [um modelo] que junta o tempo de contribuição mais essa idade mínima [de 65 anos para aposentadoria]. Com quantos anos uma pessoa vai ter que começar a trabalhar no Brasil para se aposentar? É só fazer a conta: 9 anos de idade", disse.

Ela também condenou a aprovação de novas regras trabalhistas e a liberação generalizada da terceirização. "É tirar direitos dos trabalhadores", disse. "Quanto mais próximo 2018 estiver, mas difícil vai ser de tomar medidas sociais por este governo", afirmou Dilma.

O discurso de Dilma foi centrado na necessidade de fortalecimentos da democracia e seus valores. Para ela, só eleições diretas vão recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento. 

"A democracia é o lado certo da história e eu acredito no Brasil. Nós precisamos de eleições diretas. Só vamos retomar o desenvolvimento com eleições diretas". Dilma Rousseff também se mostrou a favor do financiamento público. "Acho que financiamento público seria extremamente pedagógico para todos nós. O Brasil sempre melhorou quando a democracia existiu plenamente. Todos os governos democráticos agregaram. Você pode discordar, mas eram governos legítimos".

A ex-presidente também criticou duramente o papel da imprensa, com distorções e parcialidades. "Essa distorção dos fatos criou uma instabilidade", afirmou, desmistificando, em seguida, a tese divulgada pelo atual governo de que a crise econômica brasileira é fruto de excesso de gastos. 

Lula e o PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi citado por Dilma. "Me preocupa que prendam o Lula, que tirem o Lula da parada. Ele tem nas pesquisas 38% mesmo com tudo que fizeram. Acho que Lula tem que concorrer, se perder é das regras do jogo". As falas de Dilma sobre Lula provocaram reações na plateia. Depois de uma pausa, ela afirmou, sorrindo: "Deixa ele (Lula) concorrer para ver se ele não ganha".

Dilma Rousseff reconheceu que o PT errou ao longo dos últimos anos, mas ressaltou que a reconstrução dos valores democráticos do País passa pelos partidos. Ela alertou para os chamados "salvadores da pátria". "Não podemos acreditar em salvadores da pátria. Não há diálogo sem partido político. 

Lava Jato

Sobre a operação Lava Jato, a ex-presidente defendeu que ações do seu governo permitiram o desenrolar das atividades da Polícia Federal. "Não está sendo possível, de maneira nenhuma, que a Lava Jato possa ser contida no atual governo." Ela disse, contudo, que não pode deixar de condenar alguns abusos da operação.

Dilma ressaltou que a investigação tem sido usada politicamente, o que, segundo ela, pode "comprometer o sistema democrático" brasileiro.

"Isso [o apoio à operação] não me impede de fazer críticas ao uso político e ideológico da Lava-Jato. Isso eu não concordo. Não concordo com nenhum uso de law fare [uso da lei com find politícos] porque compromete o direito de defesa", afirmou a ex-presidente.

"Não podemos em nome das vantagens desse combate [da Lava Jato], que é reduzir a distorção do gasto publico brasileiro destinado à corrupção, é muito possível sem comprometer o sistema democrático no Brasil", completou.

Segundo ela, não é admissível juiz falar fora de processo, em qualquer lugar do mundo. "O juiz não pode ser amigo do julgado. Não é possível qualquer forma de violação do direito de defesa", disse, em crítica indireta, que foi entendida como endereçada ao juiz Sérgio Moro ou ao ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, ambos também palestrantes do evento em Cambridge.

Mesmo citar especificamente a Operação Lava Jato, Dilma Rousseff criticou ainda a perseguição a partidos e empresas públicas, que se iniciou desde a deflagração da operação. "Você não pode destruir um partido ou uma empresa. Que se punam os indivíduos. O partido em si não pode ser corrupto". Dilma afirmou que, pessoalmente, tem restrições às empreiteiras, mas "não se pode destruir a engenharia brasileira" e reforçou que os culpados precisam ser punidos.

A presidente encerrou sua participação com a frase: "Eu não tenho medo nem culpa", disse, aplaudida. Acompanhe abaixo:

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 Do Portal Vermelho, com agências

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