quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Delegado da Homicídios desabafa sobre mortes e critica lei que “protege tráfico”

Dos cinco crimes ocorridos hoje, três tiveram relação com o tráfico de drogas; Ninguém foi preso



Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir
Esta quarta-feira (21) amanheceu como a maioria dos dias de 2015, com mais notícias de homicídios que aconteceram durante à noite, madrugada e início da manhã. No total, foram cinco Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em menos de 10 horas.
Todos os casos foram atendidos pela equipe de plantão da Delegacia de Homicídios (Dehom), que teve como responsável, o delegado Luiz Lucena, que, cansado de tantos casos relacionados ao tráfico de drogas, fez um desabafo: “Dos cinco homicídios, três foram relacionados ao tráfico de drogas. Na Indonésia o Governo mata os traficantes. No Brasil os traficantes matam os usuários e as pessoas que não servem mais para eles. E as leis do Brasil protegem esses traficantes. Se nada for feito, vamos continuar tendo esse alto número de homicídios”, afirmou.
Lucena ainda foi mais longe e disse que os traficantes merecem, pelo menos, a pena de prisão perpétua. “Precisamos que os nossos políticos tenham coragem de mudar a nossa legislação. Não podemos continuar nessa situação. O nosso bem mais precioso é a vida e todos os dias, várias pessoas morrem por causa das drogas. Se não querem a pena de morte, que pelo menos esses criminosos fiquem o resto da vida presos”.
A declaração do delegado foi dada na cena do homicídio de Francisco de Assis de Lima, de 21 anos, morto na frente da casa em que morava, na rua São Paulo, no bairro Nova Esperança, em Parnamirim. Segundo informações da Dehom, o homem estava na porta da residência, cuidando de alguns passarinhos que ele cuidava, quando foi atingido por vários disparos de arma de fogo, provavelmente de uma pistola ponto 40. “A esposa dele nos informou que escutou um tiro por volta das 5h30, mas ela pensou que tinha sido algum traque. Mas logo em seguida ela escutou vários disparos e depois uma moto arrancando em alta velocidade. Quando ela saiu, o marido dela já estava morto”, afirmou Luiz Lucena.
Ao lado do corpo da vítima, familiares não seguravam a emoção e se recusaram a falar com a imprensa. Porém, para a polícia eles afirmaram que Francisco de Assis tinha envolvimento com as drogas. “A mãe dele me disse que ele chegou esta semana todo feliz em casa, afirmando que tinha conseguido pagar uma dívida que tinha. Mas pelo visto isso não foi o suficiente para os traficantes. Quando esses usuários se tornam um problema para eles ou não servem mais, eles eliminam”.
Já na noite dessa terça (20), outros dois homicídios foram registrados também por causa do tráfico de drogas. Em São Gonçalo do Amarante, no bairro Golandim, um homem foi assassinado na frente da residência onde morava. O crime aconteceu na rua Nossa Senhora de Aparecida. Identificado por Clésio Jerônimo da Costa, de 50 anos, a vítima era ex-taxista, e atualmente trabalhava como pedreiro. De acordo com as informações que a Dehom colheu no local, a vítima pode ter sido morta por ordem de traficantes da região. “Há duas semanas dois traficantes que agiam na região foram presos. Uma pessoa teria informado para os traficantes que o morador da última casa da rua foi o responsável pela denúncia que resultou na prisão dos dois. Só que no final da rua tem uma casa de um lado e de outro. Quando o Clésio vinha chegando em casa, ele foi baleado e morreu no local”, comentou o delegado Lucena.
Já em Natal, no bairro do Tirol, um morador de rua, que ainda não foi identificado, foi assassinado. O homem foi encontrado morto por populares em via pública, próximo ao local conhecido como “Praça do Gato”, na rua José Barreira Lira Verde. Segundo a PM, o lugar é conhecido por ser um ponto de encontro de usuários e traficantes de drogas, por isso a polícia trabalha com a possibilidade de que a vítima tenha entrado em uma briga com outro usuário e depois ter sido atingida na cabeça por algum objeto cortante, já que ele tinha um corte profundo no crânio.
Fonte:jornaldehoje.com.br/

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